Crítica Killing Eve S4: fim para esquecermos

Killing Eve, produção televisiva criada pela magistral Phoebe Waller-Bridge com base no livro Codename Villanelle, de Luke Jennings, conseguiu unir em boa parte de sua jornada uma série de elementos que a tornaram ótima: atuações robustas, roteiro instigante com pitadas de humor certeiro, sensualidade, adrenalina e cenários lindos em vários países.

Logo, após três temporadas imperdíveis – algo nem tão comum de se dizer em uma época povoada por centenas de produções televisivas no ar –, a expectativa para o quarto e último ano era grande. Nessa caça de gato e rato, como terminariam Eve (Sandra Oh) e Villanelle (Jodie Comer)?

Infelizmente, nos frustrou o que foi entregue pela atração, que tempos atrás teve o afastamento de Waller-Bridge do comando, pois ela preferiu desenvolver outros projetos e deixar Killing Eve nas mãos de outras mulheres.

Não posso dizer que a quarta temporada foi uma completa tragédia. A risada gostosa de Konstantin (Kim Bodnia) já é capaz de aquecer nossos corações. O elenco continua bem e a direção é correta. Em algumas cenas, como quando Eve entra na banheira com Hélène (Camille Cottin), dei boas gargalhadas.

Todavia, as escolhas narrativas foram lamentáveis. O enredo da série sempre teve como alicerce o amor e ódio entre as duas protagonistas. No fim da terceira temporada, após tanto se machucarem, parecia inevitável que seguissem juntas numa história regada a sexo e sangue.

Esta nunca foi uma série para a mocinha triunfar frente à vilã. Separar Eve e Villanelle por quase toda a quarta temporada e dar um desengonçado encontro apressado no oitavo episódio foi triste.

Leia a crítica de Killing Eve S3

Jennings, criador das personagens, tem razão ao expressar publicamente seu desapontamento. “A quarta temporada se curvou à convenção. Puniu Villanelle e Eve pelo erótico e sangrento caos causado. Uma história verdadeiramente subversiva teria desafiado quem vê amantes do mesmo sexo permitidos em dramas televisivos apenas se um deles ser morto após se relacionarem. O quão mais satisfatoriamente sombrio e fiel ao espírito original de Killing Eve seria se o casal andasse junto no pôr do sol?”, escreveu o autor. Um apontamento perfeito, nada mais a dizer.

Nota (0-10): 3

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