Crítica Killing Eve S1: a arte de matar

Villanelle (Jodie Comer) é impiedosa. Psicopata, realiza os assassinatos a ela encomendados sem remorso algum. Por mais que domine a arte de matar magistralmente, passa a deixar rastros intencionais, que são seguidos por Eve Polastri (Sandra Oh), uma oficial do serviço secreto britânico MI5.

Elas começam a desenvolver uma obsessão uma pela outra – e esse jogo de gato e rato com muito sangue e sedução é a força que move Killing Eve, série da BBC America baseada na obra literária Codename Villanelle, de Luke Jennings. O material foi adaptado para a televisão por Phoebe Waller-Bridge, reconhecida pela incrível comédia Fleabag.

Waller-Bridge com certeza é um dos motivos para a atração ter todo o sucesso que teve durante a sua primeira temporada, que trouxe oito episódios. A criadora, que também escreveu os capítulos, sabe entrelaçar perfeitamente um humor sagaz com momentos dramáticos e de apreensão. Ela faz despertar diferentes sentimentos em nós de maneira orgânica, faz parecer extremamente fácil desenvolver a trama.

O seu talento para nos fazer rir não é desperdiçado ou tampouco exagerado – algo merecedor de elogios, já que estamos falando de uma produção que mata pessoas a todo o instante. Claro que o resultado não seria tão prazeroso de assistir se não tivéssemos uma equipe alinhada com ela.

Com o seu papel na série, Oh fez história ao ser a primeira asiática a ser indicada ao prêmio de melhor atriz no Emmy. Reconhecimento merecido, mas que não deve se traduzir em vitória. O enredo da atração, mesmo que nos prenda, não ajuda na disputa, já que não há muitas cenas que exigem mais da atriz.

Comer, que obteve algumas indicações menores, está igualmente muito bem em seu personagem. Ela, aliás, consegue chamar mais atenção do público, até mesmo porque Villanelle tem uma personalidade mais intrigante.

Outro ponto que merece ser destacado é a profusão de línguas e culturas apresentada. A história avança por diferentes países europeus, da Inglaterra à Rússia, e essa internacionalização da trama com mudanças de cenário ajuda a despertar a curiosidade pelo passo seguinte.

Todavia, por mais que a série seja boa, gostaria de abordar dois pontos que causaram um pouco de ruído. O primeiro é o papel de Niko Polastri (Owen McDonnell), marido de Eve. Mesmo tendo passado semanas desde que assisti à série, não tenho certeza do que achar sobre sua participação. Ele leva uma vida pacata voltada para a esposa, que se irrita com isso. Se trocássemos os papéis, sendo ele o protagonista e ela apenas devota a ele, seria evidentemente machista. Os gêneros em situação oposta ao que normalmente vemos até é interessante por fazer com que se reflita, mas ainda assim é uma construção pobre de um personagem.

Outra questão é a subtrama de traição entre o elenco de coadjuvantes. Talvez seja apenas limitação minha, mas não entendi bem, por exemplo, se Carolyn Martens (Fiona Shaw) é confiável ou não. Talvez fique mais claro adiante – caso realmente não tenha ficado. De qualquer forma, é um motivo a mais para continuar acompanhando a atração, que diverte como poucas conseguem.

 

Nota (0-10): 8

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