Crítica Insatiable S1: extremamente ruim

Há produções que, na tentativa de acertar a mão na hora de abordar temas sensíveis, acabam cometendo alguns deslizes. Assim como qualquer outra obra, estão suscetíveis a receber críticas. Todavia, de modo geral, é perceptível que se esforçam para entregar um produto com o mínimo de qualidade.

Não é o caso de Insatiable, nova série da Netflix. A comédia é um completo desastre do começo ao fim. Um show de horrores que dá até calafrios dado o nível de atrocidades que acontecem.

Assim como o telefilme To The Bone, a produção desenvolvida por Lauren Gussis já causou alvoroço quando o trailer foi liberado. Entretanto, ao contrário do telefilme, que depois se mostrou bom, a série com longos 12 episódios em sua primeira temporada, que acabou de estrear, definitivamente é ainda pior do que se imaginava.

O enredo da menina acima do peso que sofre bullying, emagrece e vinga-se dos outros não é nada inovador. Toda a crítica sobre a série ser gordofóbica é acertada, até mesmo porque em mais de um momento os personagens dizem que a protagonista Patty (Debby Ryan) estava doente por ser gorda. Esse e outros temas são abordados de maneira bem irresponsável. São feitas piadas com pedofilia e abuso sexual como se isso não fosse nada de grave.

Quer brincar com temas fortes ao escrever o roteiro? Muito bem, pode. Entretanto, tenha em mente que nem todos conseguem desenvolver sua própria Veep, um ótimo exemplo de atração que sabe muito bem como trazer um humor denso sem ultrapassar o limite do acertado.

Uma boa palavra para definir Insatiable é tosca. A série é deliberadamente tosca. Não um trash divertido como o de Santa Clarita Diet. Muito tosca e sem graça mesmo. Os poucos momentos engraçados e com decisões coerentes se perdem em um emaranhado de tramas idiotas.

É lindo ver o destaque dado à comunidade LGBT+ durante o episódio com os cachorros; ou o desenvolvimento de um trisal e a abordagem da bissexualidade. Pena serem momentos logo estragados por sequências vergonhosas ligadas a concursos de beleza e rixas estudantis.

Dallas Roberts dá vida a Bob Armstrong de maneira muito simpática. O problema é dificilmente ter espaço para algo que não seja perdoar os excessos cometidos pela sua protegida, que é desenvolvida como uma assassina louca.

A Netflix definitivamente deveria ter mais cuidado com as suas produções originais. O algoritmo até consegue descobrir qual o melhor assunto a ser abordado, mas, para além disso, é preciso uma equipe competente. 13 Reasons Why parecia o fundo do poço. Aparentemente sempre dá para cavoucar um pouquinho mais.

 

Nota (0-10): 1

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