Crítica Inventing Anna: a falsa herdeira e os patetas milionários

Os milionários de Nova York são patetas? Ao que parece, estão tão absortos em seu mundo de aparências que basta apenas isso para serem ludibriados: aparência.

Era a única coisa que Anna tinha. Uma roupa elegante e a história mentirosa sobre ser uma herdeira alemã; alie a isso perspicácia e um sotaque extravagante e temos os ingredientes necessários para a vigarista tomar de assalto os corações – e os bolsos – da elite.

Em Inventing Anna, minissérie da Netflix criada por Shonda Rhimes, conhecemos essa Anna, que troca o sobrenome Sorokin por Delvey para esconder sua origem russa. A história, baseada em fatos reais, é construída a partir da reportagem Maybe She Had So Much Money She Just Lost Track of It, da jornalista Jessica Pressler.

Na adaptação televisiva, o foco é dividido tanto no passado de Anna, interpretada pela exuberante Julia Garner, quanto na investigação da repórter, que aqui ganha o nome fictício de Vivian, aos cuidados da atriz Anna Chlumsky.

As duas personagens, no desenrolar da trama, acabam se aproximando – talvez até tivessem virado amigas, levando em conta a peculiaridade de Anna, naquele momento atrás das grades, e suas relações.

A história progride nesses dois paralelos: um à espera do julgamento, outro costurando o passado da ré.

É importante ressaltar que devido ao bom número de fatos curiosos ocorridos de verdade, a minissérie consegue nos prender até o final. Mais mérito da sagacidade de Anna, menos da produção, que conta com 9 longos episódios. Como todos chegam muito perto ou até mesmo ultrapassam a marca de uma hora, às vezes parece que estamos nos arrastando quando deveríamos correr.

A falta de um olhar mais crítico sobre o profissionalismo da jornalista também incomoda. Refletida ou não a realidade, a atuação de Vivian muitas vezes como cheerleader de Anna é antiética. Não acredito que a isenção exista, mas há algumas fronteiras que existem por um motivo e não devem ser ultrapassadas.

Um dos pontos mais comentados sobre a atração foi o sotaque de Garner. Algo que não me incomodou, mas talvez por eu gostar muito da atriz. Desde sua participação em The Americans, ela ainda muito jovem, conseguia ver ali uma futura estrela. Garner tem uma ferocidade natural, uma potência sedutora. Não tanto a ponto de não ficarmos sem paciência para a sua personagem na reta final da nova produção da Netflix.

Anna, assim como a minissérie, foi longe demais. Em seus futuros projetos, talvez valha dosar melhor seus atos.

Nota (0-10): 5

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