Crítica The Americans S6: o fim de uma identidade

Por mais que seja caracterizada por não haver um confronto direto entre os Estados Unidos e a União Soviética, a Guerra Fria afetou um sem número de vidas. A corrida armamentista das duas superpotências pela construção de arsenais nucleares gerou instabilidade política no mundo, que acompanhava movimentos que poderiam resultar em novos desastres.

Nesse contexto de conflito estão inseridos os personagens Elizabeth (Keri Russell) e Philip (Matthew Rhys), dois espiões soviéticos da KGB que vivem há anos nos EUA. Os protagonistas da série The Americans, uma criação de Joseph Weisberg que se passa nos anos 1980, encobrem suas verdadeiras identidades vivendo uma vida aparentemente comum. Gerenciam uma agência de viagens e são pais dos adolescentes Henry (Keidrich Sellati) e Paige (Holly Taylor).

Por mais que tenha como ponto central o trabalho de espionagem, a atração discute principalmente os dramas relacionados ao casamento, os efeitos das repetidas mentiras, a criação dos filhos, o desgaste com o passar do tempo e as dúvidas relacionadas sobre a identidade de cada um. Após tantos anos no país considerado inimigo, o casal passou a ser americano?

Philip foi o primeiro a sentir o quão pesado era o fardo que carregava. Pediu para deixar a posição de agente infiltrado e ser, de fato, um pacato cidadão norte-americano – ou o mais próximo que conseguiu disso, por causa das ligações com a esposa e a filha.

Paige, que acaba descobrindo a verdadeira identidade dos pais, aceita ser treinada para trabalhar para o serviço secreto soviético. Essa subtrama é parcela considerável da sexta e última temporada, que tem dez episódios e, até mesmo por ser previamente planejada como desfecho, consegue dar o melhor encerramento possível para a trajetória da família Jennings.

The Americans nunca foi uma série realmente eletrizante. Sempre bem executada, no passar dos anos deixou claro a incapacidade de tirar o fôlego do espectador assim Homeland e outras produções do gênero. Todavia, na sua reta final, conseguiu elevar a tensão e a dramaticidade a um nível até então não alcançado.

Russell e Rhys, ambos indicados ao Emmy de melhor atuação, estão perfeitos em seus papéis. Todo o cansaço que os personagens sentem é transmitido em suas expressões. Parece que a cada momento eles vão simplesmente desabar, mas reúnem forças e dão mais um passo.

 

Leia a crítica de The Americans S5

 

O roteiro, caracterizado por ser apenas correto, é desenvolvido de modo mais emergencial. Como as peças precisam ser reunidas rapidamente, a descoberta de Stan Beeman (Noah Emmerich) soa um pouco forçada. Nos últimos tempos, ele simplesmente deixou de lado a dúvida com relação aos vizinhos. Essa virada de chave a partir da ausência no Dia de Ação de Graças é meio questionável, já que ele bem sabia que os amigos estavam passando por uma grave crise financeira.

De qualquer forma, ainda assim foi uma mudança harmônica – e, claro, era esperado que acontecesse em algum momento da trama.

Avançando para os minutos finais, a série entregou suas sequências mais emotivas. A ligação para Henry foi o ápice do zelo de uma narrativa tão dolorida. Já a cena de encerramento foi tão belamente construída, fez valer qualquer ponto baixo que a atração apresentou durante sua jornada.

Agora fica a pergunta: será que a família reuniu-se novamente após isso?

 

Nota (0-10): 9

Anúncios

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair /  Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair /  Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair /  Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair /  Alterar )

Conectando a %s