Crítica Midnight Mass: sermão prolixo, mas eficaz

Mike Flanagan, diretor, roteirista, produtor e editor responsável por filmes de terror como Hush e Ouija: Origin of Evil, virou sensação na Netflix ao lançar The Haunting of Hill House. O sucesso fez com que o produto virasse uma antologia, vindo em seguida The Haunting of Bly Manor, e deu sinal verde para outro projeto seu, este mais pessoal e ligado à sua criação católica.

Midnight Mass, minissérie em sete episódios, todos escritos ou coescritos e dirigidos por Flanagan, traz nomes conhecidos do seu universo, como a atriz Kate Siegel, esposa do criador, e Henry Thomas.

A história se passa em uma pequena ilha habitada por poucos que ainda não partiram. O destino dos residentes tem grande mudança com a chegada do padre Paul (Hamish Linklater), que traz consigo milagres.

A trama, construída com cuidado e gravada com esmero, é um grande avanço para quem já não aguenta mais os enredos rocambolescos de American Horror Story, cada vez mais sem fôlego em sua décima temporada, Double Feature.

Midnight Mass não busca sustos constantes e baratos. Preocupa-se em estabelecer seu mundo em terreno sólido para assim avançar com nossa total atenção. Durante o percurso, Linklater seduz não apenas os morados locais, mas o público. É uma das entregas mais poderosas deste ano. Os sermões do seu personagem são apaixonados, inflamados, poderosos. O ator brilha, atrai todo foco para si quando surge.

Igualmente marcante é a performance de Samantha Sloyan, que vive a beata Bev. Nós a odiamos muito, mas queremos ver mais e mais dela, já que o trabalho é bem feito. Sloyan e Linklater são dois nomes que espero ver lembrados em algum momento na temporada de premiações.

Os pontos fracos da atração ficam por conta do texto por vezes prolixo de Flanagam – nem sempre queremos ver as pessoas contarem toda uma história do passado antes de responder a pergunta feita a ela – e o final excessivamente melodramático.

O desfecho não é tão ruim quanto o de Hill House, que na reta final esqueceu completamente ser uma série de terror. Entretanto, também peca pela falta de força e um resquício de novelas mexicanas.

Flanagan precisa aceitar mais a crueza da vida. Às vezes, o ser humano é apenas carnificina.

Nota (0-10): 8

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