Crítica The Haunting of Hill House S1: do terror ao drama

Casas mal-assombradas fazem parte do imaginário popular de terror há tempos. Há muitas que acabam ficando famosas e viram até atração turística. Na ficção, por sua vez, a popularidade é a mesma. Logo, não é um tema que vai despertar a curiosidade de qualquer pessoa por ser algo diferente daquilo que já temos aos montes no gênero. Todavia, o mais importante é a história ser contada de maneira eficaz – e, claro, assustadora.

The Haunting of Hill House, série da Netflix criada por Mike Flanagan com base no livro homônimo de Shirley Jackson, prova que é possível abordar o mesmo tema e apresentar um resultado satisfatório. A produção é desenvolvida com o cuidado que geralmente falta para atrações feitas para dar medo.

A série é uma boa alternativa para quem já está cansado das tramas cada vez mais bizarras e menos sedutoras de American Horror Story, que desde a sua quinta temporada parece não fazer muita questão de unir um roteiro sólido com cenas que possam realmente assustar. Também serve, por exemplo, para quem não se impressionou muito com a versão televisiva de The Exorcist, que foi enterrada após duas temporadas.

Em Hill House, o enredo foca na família Crain, formada por marido, esposa e cinco filhos. O grupo compra a residência, que é habitada por fantasmas, com o intuito de restaurar o local e imediatamente vender. Os planos, entretanto, logo começam a dar errado.

Não demora para percebermos que a atração tem como tema principal os conflitos familiares que acabam sendo desencadeados.  Os seres sobrenaturais postos em cena são, antes de mais nada, a representação dos demônios internos de cada um – situação que evolui dando um novo significado a isso.

A trama, na primeira metade dos dez episódios, avança dando ênfase aos diferentes protagonistas, um de cada vez. Steven Crain (Michiel Huisman, adulto / Paxton Singleton, criança) é o filho mais velho que se tornou um escritor famoso incrédulo quanto aos acontecimentos pelos quais a família passou. Shirley (Elizabeth Reaser, adulta / Lulu Wilson, criança) é a menina mais velha que administra um necrotério ao lado do marido Kevin (Antony Ruivivar). Theodora (Katie Siegel, adulta / Mckenna Grace, criança) é a filha com poderes especiais que passou a trabalhar como psicóloga infantil. Os irmãos gêmeos Luke (Oliver Jackson-Cohen, adulto / Julian Hilliard, criança), que é viciado em heroína, e Eleonor (Victoria Pedretti, adulta / Violet McGraw, criança) são os mais atormentados pelas assombrações. Os pais Hugh (Timothy Hutton, presente / Henry Thomas, passado) e Olivia (Carla Gugino) são responsáveis, respectivamente, por reformar e desenhar casas.

Os atores fazem um bom trabalho em cena, sendo dramaticamente mais exigidos do que ocorre na maioria das produções de terror. O único a desapontar é Huisman, que não convence no momento mais delicado. Thomas também causa cerca estranheza, mas é sobretudo por causa das horríveis lentes de contato que distraem a atenção.

Tratando-se de direção, há muito o que comemorar, principalmente no capítulo Two Storms, o sexto, que abusa de longos e maravilhosos planos-sequência. Imaginem o trabalho que deve ter dado para ajustar a luz para que todas as variações ocorram adequadamente, além dos ensaios para que os atores posicionem-se no ponto correto durante a movimentação.

Verdade seja dita, até o meio da temporada tudo encaminhava-se para termos um fim apoteótico. Então veio a grande descoberta, que mudou bastante a dinâmica do jogo. O drama tomou de vez o lugar do terror e as assombrações perderam o seu efeito sobre nós.

Por mais que o fim tenha sido interessante e aberto diferentes caminhos para um segundo ano, ficou aquele gostinho de que o mistério deu lugar para um dramalhão mexicano bem filmado. Uma reta final que não desmerece a caminhada, mas deixa a desejar.

 

Nota (0-10): 7

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