Crítica The Great S2: a sucessora de Veep

Catherine the Great foi uma figura emblemática que governou a Rússia durante os anos de 1762 a 1796. Amante da cultura e da educação, a imperatriz ascendeu ao trono após dar um golpe no próprio marido, Peter III. Foi a líder mulher que passou mais tempo no poder naquele país – o que explica bem a riqueza de sua história, que perpassa décadas.

Ocasionalmente baseada em fatos reais, a série The Great, criada por Tony McNamara, traz elementos verdadeiros da jornada de Catherine, ainda que deslocados no tempo e misturados com farta dose de ficção. Para apreciar a atração é preciso entendê-la como uma obra ficcional que brinca com figuras históricas reais e momentos importantes.

McNamara traz aqui algo parecido com o entregue no texto de The Favourite, escrito na companhia de Deborah Davis. A dupla concorreu ao Oscar de melhor roteiro original pelo excelente filme, que foi dirigido por Yorgos Lanthimos.

Em ambos os trabalhos, há uma excentricidade adorável em cada diálogo. Em The Great, McNamara e seu time conseguem fazer com que qualquer cena em princípio banal carregue consigo situações deliciosamente absurdas. A comédia, em sua segunda temporada, se solidifica com uma sucessora natural de Veep, que durante anos reinou absoluta com sua ousadia e precisão no humor.

As duas séries guardam similaridades: roteiro formidável, atuações excelentes e, ainda que passem em épocas e países diferentes, são comandados por mulheres dispostas a liderar a qualquer custo. Verdade seja dita, Selina e sua equipe estão em um grau de incompetência inalcançável. Catherine, incorporada com segurança e paixão por Elle Fanning, é uma comandante mais sensata.

Isso não a livra de criar muita confusão, até mesmo porque é amparada por ajudantes complicados. O time de coadjuvantes brilha: Douglas Hodge rouba as cenas com o alcoólatra Velementov; Belinda Bromilow é carismática sem igual com sua tia Elizabeth; Nicholas Hoult é tão bom que não nos importamos com o fato de Peter continuar vivo; Phoebe Fox é a amiga traidora ideal; Adam Godley assusta e diverte com o arcebispo que está subindo pelas paredes. Muitos outros poderiam ser citados, já que se trata de um elenco que merece ser premiado como um todo.

Leia a crítica de The Great S1

Enquanto Ted Lasso derrapa em seu segundo ano, The Great prova sua robustez. Espero que seja lembrada com mais carinho na próxima temporada de premiações – e seja renovada para pelo menos mais umas duas temporadas. Salve Catherine, a governante que o mundo das séries necessitava.

Nota (0-10): 10

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