Crítica Years and Years: os descaminhos da política

Mostrar um futuro distópico é assunto recorrente no cinema e na televisão. Há bons exemplos, como Mad Max e, mais recentemente, The Handmaid’s Tale, que conseguem transmitir diferentes mensagens.

Atualmente, a ascensão de políticos populistas a postos de projeção mundial, como os casos de Trump e Johnson, faz com que o vislumbre de como serão os próximos anos tenha camadas entristecedoras de ódio, preconceito, rivalidade, estupidez etc.

Nessa toada entra em cena Years and Years, minissérie britânica criada por Russell T Davies. Uma coprodução entre a HBO e a BBC, a atração é estrelada por Emma Thompson, que encarna Vivienne Rook, uma política cujas opiniões controversas dividem a nação.

Entre os eleitores afetados está a família Lyons, composta por Stephen (Rory Kinnear), Celeste (T’Nia Miller), Daniel (Russell Tovey), Edith (Jessica Hynes), Rosie (Ruth Madeley), Viktor (Maxim Baldry), Bethany (Lydia West), Ruby (Jade Alleyne) e Muriel (Anne Reid).

São bons personagens e atores a serviço de um roteiro preciso. A história é contata de maneira acertada e surpreende ao fazer tantas passagens de tempo ocorrerem do modo harmonioso e instigante.

Do começo ao fim, temos mais de uma década de acontecimentos. Vamos da chegada ao poder até a queda de uma direita repressora e burra. Muitos dos acontecimentos vistos fazem eco a atitudes já tomadas por crápulas como Bolsonaro.

As comparações são inevitáveis – até mesmo porque o material que dá origem ao produto ficcional é aquilo que vemos diariamente ao ligarmos a TV e assistirmos ao noticiário. Na minissérie, não há nada que soe implausível, por mais desesperador que possa ser. Pelo contrário, parece uma visão nem tão pessimista assim.

Os acontecimentos atuais no Equador, onde foi instaurado um estado de exceção em resposta às violentas manifestações decorrentes do aumento exagerado do combustível, mostram bem o quão delicada é a estabilidade de um país. A atuação do FMI com suas medidas neoliberais não causa alvoroço só lá, mas também na Argentina, que enxerga a pobreza bater na porta de milhões.

A dinâmica de trabalho mais recente, adotada por empresas como a Uber, contribui para a precarização e está presente em Years and Years, que em seus seis episódios nos assusta muito mais do que Black Mirror.

Que nenhuma morte seja em vão. A revolução é necessária.

Nota (0-10): 10

2 comentários Adicione o seu

  1. P. R. Cunha disse:

    Excelente crítica, Roehrs.

    Apeteceu-me imenso assistir à minissérie (e fá-lo-ei brevemente).

    Abraços,

    P.

    Curtido por 1 pessoa

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