Crítica The Big Bang Theory S12: a jornada do ontem

Após doze temporadas, uma das comédias mais populares da televisão norte-americana chegou ao seu fim. The Big Bang Theory, série criada por Chuck Lorre e Bill Prady, encerra um ciclo de sucesso.

Quem diria que aquele grupo de nerds estranhos conquistaria o coração de tantas pessoas? Leonard (Johnny Galecki), Sheldon (Jim Parsons), Howard (Simon Helberg) e Raj (Kunal Nayyar) não apenas tornaram-se a família de Penny (Kaley Cuoco), mas de um público fiel.

Durante o passar das temporadas, ainda receberam as companhias de Bernadette (Melissa Rauch) e Amy (Mayim Bialik), adições que despertam sentimentos conflitantes. Por mais que as atrizes sejam ótimas e suas personagens sejam dotadas de carisma, a inserção de tais elementos ocorre para construir relações normatizadas.

Um enredo composto por um heretossexual, um assexual e dois amigos com uma ligação que talvez alcançasse o amor romântico diferenciava esta produção de qualquer outra de grande alcance. Aos poucos, até mesmo o personagem com maior aversão à intimidade estava com um anel de compromisso no dedo.

Como se não bastasse isso, a atração sempre se permitiu fazer piadas preconceituosas com quem estava em tela. Não é porque há um indiano na história que se possa fazer qualquer graça com isso. O mesmo pode ser dito para com as mulheres e demais pessoas afetadas pelo texto.

A parte mais triste é que a série não precisava desses momentos vergonhosos. Boas tiradas permeiam todo o enredo, sendo que as poucas más escolhas apenas maculam a história. Entretanto, é bom ressaltar que isso é um fenômeno de seu tempo. Modern Family, que ganhou vida em época próxima, permitiu-se, por exemplo, tirar sarro de latinos de maneira muito ofensiva por ter estes em cena.

É uma lógica ultrapassada que não vemos em boas produções recentes. O fim de The Big Bang Theory, de certa forma, representa o fim do ontem – ao menos pra mim, que hoje dou preferência para produções como The Marvelous Mrs. Maisel.

Por mais que tenha chegado a hora de dar tchau, é inegável que sentiremos saudade. Parsons sempre fez um trabalho primoroso com o irritante Sheldon. E ele esteve acompanhado de ótimos atores. Gostaria de enfatizar que Helberg nunca ganhou os louros que merecia por Howard. Nas últimas temporadas, em especial, sempre se destacou como coadjuvante, com momentos muito engraçados.

O grupo, de modo geral, mostrou-se entrosado. E, apesar dos problemas da produção, o fim foi sensível e acertado. Um desfecho bonito para uma jornada de mais de uma década.

Nota (0-10): 7

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