Crítica Homeland S7: tensão ininterrupta

Quando estreou, Homeland fez muito sucesso com a crítica e o público. Reconhecimento merecido, diga-se de passagem, pois a atração adaptada por Alex Gansa e Howard Gordon trouxe um ótimo elenco envolvido em uma trama frenética que te faz querer assistir a todos os episódios sem fazer pausas.

Cinco Globos de Ouro, inúmeros Emmys e algumas temporadas depois, o drama de espionagem encaminha-se para a sua reta final, já que o oitavo ano foi confirmado como o último. Chega aqui sem o mesmo prestígio de outrora, mas ainda relevante e prazeroso de acompanhar.

Em sua sétima temporada, a produção tem como pano de fundo principal a capital dos EUA. Carrie Mathison (Claire Danes) investiga a presidenta, Elizabeth Keane (Elizabeth Marvel), sem desconfiar que está sendo manipulada em uma trama que pode destruir David Wellington (Linus Roache), braço direito de Keane, e colocar em cheque a própria democracia.

Quem traz luz à questão é Saul Berenson (Mandy Patinkin), que abraça um importante cargo no governo após deixar a prisão. A reviravolta é uma das tantas que marcam a série, já reconhecida pela sua tensão constante.

O mais admirável é que os pontos de virada da atração conseguem de fato surpreender. Além disso, por mais inteligente que possa ser o enredo, nós não ficamos confusos. Há um entendimento dos arcos desenvolvidos, mesmo sem didatismo.

Também há a inserção de temas atuais. Se já visitamos locais como o Oriente Médio, a América do Sul e a Alemanha, desta vez o destaque maior fica com a Rússia. O conflito deste país com os EUA dá o tom principal, sem esquecer as famigeradas fake news.

Só não temos uma temporada excepcional por um detalhe: a insistência em usar a doença de Carrie para ter mais dramaticidade. Se ela não para de tomar o medicamento, ele simplesmente para de fazer efeito. É cansativo ver o quanto eles procuram justificativas para cair num ciclo vicioso.

Ao estar desempregada, cheia de dívidas, morando com a irmã e sendo relapsa com a filha por causa da investigação que conduz por conta própria, Carrie já nos dá motivos o suficiente para perder a guarda da filha Franny (Claire Keane). Logo, não é preciso acrescentar na equação a bipolaridade, que não parece ser utilizada com o devido cuidado que deveria.

Leia a crítica de Homeland S6

A condição de Carrie, que nos primeiros anos foi tão importante para discutirmos doenças mentais, agora soa cada vez mais sendo utilizada de forma sensacionalista. Uma constatação muito triste.

Fora isso, a série mostra ainda ter fôlego. Danes é simplesmente perfeita para o papel e certamente sentiremos saudades dela com o término da atração.

Nota (0-10): 8

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