Crítica Wanderlust S1: nem tão fácil quanto parece

A terapeuta Joy Richards (Toni Collette) e o professor Alan (Steven Mackintosh) estão juntos há duas décadas e percebem seu casamento abalado pela constatação de que a relação sexual já não funciona bem. Praticamente ao mesmo tempo, acabam traindo um ao outro e contam o que fizeram. A situação mostra-se oportuna para eles tentarem salvar o casamento por um meio não monogâmico.

O novo acordo do casal dá o tom do drama Wanderlust, uma coprodução da BBC One e da Netflix escrita por Nick Payne e dirigida por Luke Snellin e Lucy Tcherniak. O trabalho, dividido em enxutas seis partes, não perde muito tempo e procura desenvolver os diferentes arcos satisfatoriamente até o fim da temporada.

Enquanto Joy sai primeiro com Marvin (William Ash) e depois com Marc (Dylan Edwards), além de reaproximar-se de Lawrence (Paul Kaye), um antigo namorado, Alan torna-se cada vez mais íntimo de Claire (Zawe Ashton). Os filhos do casal, Tom (Joe Hurst), Naomi (Emma D’Arcy) e Laura (Celeste Dring), igualmente procuram criar laços de afeto.

A história nem sempre se afasta do que habitualmente vemos, como no caso do romance de Michelle (Isis Hainsworth) com o melhor amigo. Todavia, ao menos avança num ritmo rápido o suficiente para que a gente não fique irritado.

De qualquer forma, os pontos mais interessantes para serem assistidos acabam ficando geralmente com os pais, que trazem a discussão mais espinhosa. Como anunciar um rearranjo que, na sociedade que vivemos, é considerado tão fora do convencional?

É interessante ver a hipocrisia latente de quem está ao redor. A traição é permitida, vista com um aspecto de maior normalidade. Enquanto isso, a abertura sincera de um relacionamento é condenada pela maioria. Por quê? Não deveria ser o contrário?

Envoltos em uma aura mágica de liberdade e prazer, Joy e Alan avançam sem tanto medo. Ocorre, entretanto, que nem tudo é tão fácil quanto parece – e nesse aspecto há outro grande acerto do roteiro.

Você pode até combinar com uma pessoa de que só irá transar com outra. No entanto, é muito mais complicado do que isso. Precisamos levar em conta os sentimentos dessa outra pessoa. Os próprios sentimentos que podem florescer. O que sente o parceiro com quem fez o acordo.

Não existe relacionamento perfeito. Tampouco um mar de rosas sem fim. A prova disso é que a harmonia criada logo é rompida e Alan, longe de casa, sente o gosto agridoce da mudança. Enquanto isso, Joy tenta livrar-se dos seus demônios na terapia, uma oportunidade perfeita para as atrizes Collette e Sophie Okonedo, ambas com indicações ao Oscar no currículo, brilharem.

No fim, o enredo é muito menos sobre o certo e o errado e mais sobre a busca da felicidade através de tentativa e erro. Somos todos humanos. Logo, imperfeitos.

Nota (0-10): 7

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