Crítica Homeland S6: mentiras públicas

Quando estreou Homeland, série desenvolvida por Howard Gordon e Alex Gansa com base na produção israelense Hatufim, de Gideon Raff, estávamos diante de um trabalho simplesmente impecável. O primeiro ano nos apresentou a agente da CIA Carrie Mathison, interpretada com todas as nuances possíveis por Claire Danes, e Nicholas Brody (Damian Lewis), militar que volta à terra natal após ser mantido em cativeiro.

Com o passar do tempo, apesar de continuar relevante e tensa, a série foi perdendo o brilho aos poucos. Entre a terceira e a quarta temporada, pairou no ar o questionamento se a morte de um dos protagonistas seria o fim para a atração. Algo que definitivamente não ocorreu, pois, apesar dos problemas pontuais, a rede de intrigas tecida ainda nos seduzia.

Assim como House of Cards, a produção sempre incorporou conflitos reais à ficção. Sua preocupação em discutir temas atuais a levou, na temporada passada, para a Alemanha, que se destaca no cenário mundial como principal porta-voz da União Europeia, e a trouxe, neste ano, de volta para os Estados Unidos, que passou por uma complicada eleição presidencial.

Nesse contexto entra em cena a presidenta eleita Elizabeth Keane (Elizabeth Marvel), que pede para que Carrie, agora ex-agente, preste auxílio nas questões de segurança nacional. A nova personagem talvez tenha sido resultado de um tiro no escuro, na certeza de que Hillary Clinton seria escolhida como nova líder do país. Independentemente disso, funciona muito bem como elemento catalisador das ações, que giram em ritmo frenético sem sair dos trilhos.

A partir da sua trama foi mostrado o poder de destruição da publicação de mentiras. Os ataques de Brett O’Keefe (Jake Weber), seu algoz, são a exemplificação de atitudes similares que são compradas pela população e movem milhares, até mesmo milhões, por um ódio desinformado.

Outro ponto positivo do sexto ano é o de que a atração finalmente parou de arrumar desculpas para deixar a protagonista sem seus medicamentos que controlam a bipolaridade. Mesmo que Carrie tenha ficado deprimida durante algum tempo devido a todos os problemas, que não são poucos, vale ressaltar, continuou lutando com certo equilíbrio. A adição de sua filha, elemento que gera dúvidas por impor novas barreiras quanto ao risco que ela aceita passar nas missões, funciona muito bem e traz mais dramaticidade.

Por mais que a criança tenha saído dos cuidados de Carrie por causa das ligações de Dar Adal (F. Murray Abraham), é incontestável que há muitos fatores que põem em cheque a capacidade da mãe de criar alguém.

Falando em Dar Adal, é bom ressaltar o belo trabalho feito por Abraham. Sua figura é desprezível no tom certo. Quando aparece em cena, dá certa repulsa. Só soou estranho o diálogo final com Saul (Mandy Patinkin), no qual diz que não esperava que as coisas ficassem tão obscuras. É risível vindo de alguém que foi responsável pela morte de inocentes e torturou um congressista num frigorífico, entre outros atos.

Por fim, é preciso falar sobre a despedida de Rupert Friend e seu Peter Quinn. Foi, merecidamente, o destaque deste ano. O personagem se tornou mais sombrio do que nunca e, desde que falou you’ve gotta let me go, sabíamos que não haveria conclusão feliz para ele, mesmo que Carrie se esforçasse. A sequência de ações de Peter estava muito além de qualquer perdão oficial, era de destruição do próprio ser. Melancolicamente deu tchau nesta sexta temporada que é, sem sombra de dúvidas, uma prova de que a série tem muito a nos oferecer ainda.

 

Nota (0-10): 9

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