Crítica Brooklyn Nine-Nine S4: ótimo passatempo

No seu primeiro ano, Brooklyn Nine-Nine, produção criada por Daniel J. Goor e Michael Schur, levou dois prêmios no Globo de Ouro. É verdade que não merecia ser considerada a melhor série de comédia do ano, pois havia outras muito mais relevantes. Entretanto, a despretensiosa atração sempre soube nos fazer rir. É perfeita para ser assistida antes de dormir, naqueles momentos que queremos relaxar um pouco e ficar em paz.

Em sua quarta temporada, o show continua tão eficaz em nos distrair quanto outrora. Todavia, há duas mudanças perceptíveis em seu roteiro: arcos narrativos mais longos, algo já visto no fim do terceiro ano, quando fomos apresentados a Adrian Pimento (Jason Mantzoukas); e uma crítica mais direta a problemas dentro da polícia, principalmente ao racismo.

O episódio Moo Moo é o melhor exemplo. Terry Jeffords (Terry Crews) está procurando pelo brinquedo da filha em seu próprio bairro e é abordado de maneira absurda por um policial branco. As piadas são deixadas de lado e a atração dá o tom necessário para tema tão delicado. Sua conversa com Capitão Ray Holt (Andre Braugher), que não quer reportar o caso de racismo para que seu protegido tenha chance de subir de posto, é muito reveladora e triste – assim como o desfecho, que infelizmente deve condizer com a maioria dos casos.

Voltando-se para o lado da estrutura narrativa que se preocupa mais em dar continuidade para as tramas, há vários capítulos que podemos citar, a começar pelo primeiro, Coral Palms, Part 1. Nesse, a série inclusive foca toda sua atenção em Holt e Jake Peralta (Andy Samberg), deixando o resto do elenco de lado pela primeira vez.

Por mais que seja um recurso utilizado em muitas produções, soa um pouco incômodo em Brooklyn Nine-Nine por um fato muito simples: a gente sente falta do resto do grupo. São poucas as atrações que têm personagens com características tão únicas e que sejam tão carismáticos. Todos eles tornaram-se indispensáveis, até mesmo Hitchcock (Dirk Blocker) e Scully (Joel McKinnon Miller), que são praticamente um único grande ser disforme.

Quem não ficou com medo da Gina Linetti (Chelsea Peretti) sumir após ter sido atropelada por um ônibus na temporada passada? Seu retorno (nem tão) triunfal foi ótimo. A personagem é dona das passagens mais engraçadas – e a atriz sempre consegue nos arrancar gargalhadas sinceras.

E o que falar de Amy Santiago (Melissa Fumero)? Ela tinha tudo para ser a personificação da chatice. Bem, ela até é, mas funciona muito bem no contexto da série. Amy e Jake basicamente formam um dos casais mais fofos da TV.

Ainda temos Rosa Diaz (Stephanie Beatriz), que é quase um robô, assim como Holt; e Charles Boyle (Joe Lo Truglio), talvez aquele que tenha sofrido mais desgaste com o passar do tempo, mas ainda longe de ser ruim.

A única crítica que posso fazer é sobre a inserção de Pimento na história. O par romântico de Diaz ganhou grande destaque e foi deixado de lado. Por mais que seja interessante, não conseguiu nos cativar como os demais.

Uma pequena falha de uma série que chega ao quinto ano com qualidade contínua. Espero que não seja cancelada por causa da baixa audiência. Ainda queremos ver muitas aventuras dessa equipe desastrada.

 

Nota (0-10): 8

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