Crítica Kidding S1: o triunfo de Jim Carrey

Perder os pais te torna órfão. O cônjuge, viúvo. Tratando-se de um filho, todavia, não há palavra que consiga dar a dimensão da ferida aberta. É uma dor nada fácil de suportar e difícil de ser curada.

Jeff Pickles (Jim Carrey), protagonista da comédia dramática Kidding, é um apresentador de programa infantil que sofre com a morte de Phil, um dos filhos gêmeos que tem. A desestabilizadora situação afasta-o da esposa, Jill (Judy Greer), e do outro filho, Will (Cole Allen).

Por ser uma pessoa extremamente generosa, Jeff faz de tudo para continuar vivendo sem reclamar. O sentimento represado, entretanto, ganha cada vez mais volume e dá indícios de que poderá explodir a qualquer momento.

A constatação deixa o seu pai, Seb (Frank Langella), e sua irmã, Deirdre (Catherine Keener), preocupados. Estes trabalham na produção do programa fictício de televisão – e enquanto Deirdre teme mais pelo irmão, o pai está realmente alarmado com o andamento dos negócios.

Todos esses fatores, com alta carga dramática, dão o tom da série Kidding, uma criação de Dave Holstein, que já escreveu para atrações como The Brink e Weeds. Em seu trabalho mais recente, o showrunner apresenta um ótimo material.

A comédia dramática é dotada de uma sensibilidade ímpar. Carrey, que tem toda a atenção voltada para si, entrega uma atuação digna de prêmios. Ele sabe ser engraçado sem exageros, comedido quando preciso e emotivo quando a situação beira o insuportável. Seu Jeff é um homem que precisa desesperadamente de ajuda. Ele e todas as pessoas ao seu redor, verdade seja dita.

Deirdre, por exemplo, precisa lidar com a traição do marido, que foi pego pela filha deles sendo masturbado pelo vizinho. Além da circunstância da quebra do pacto monogâmico, ainda entra em cena a homossexualidade ou bissexualidade do companheiro.

Jill embarca em um novo relacionamento e tenta fugir do trauma que tem. Enquanto isso, Will acaba envolvendo-se com novos amigos que o fazem ter novas experiências, como o consumo de drogas.

São várias situações problemáticas e o único personagem a não despertar profunda empatia é Seb. Ao negar ao filho o direito de fazer um episódio dedicado à perda, ele nega o direito ao luto. Qualquer pessoa minimamente inteligente consegue perceber o quanto ele está piorando a situação. Bastava dar apoio, qualquer apoio, e Jeff provavelmente não entraria nessa escalada de problemas.

A sua postura, apesar de ser irritante e durar mais tempo que deveria, não estraga a experiência de acompanhar uma das melhores produções dos últimos tempos. É um trabalho que merece ser sentido.

Nota (0-10): 10

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