Crítica A Very English Scandal: amor e hipocrisia

Baseada em uma história real, a minissérie A Very English Scandal traz como protagonista Jeremy Thorpe (Hugh Grant), um político liberal que foi membro do parlamento britânico nos anos 1960 e 1970 e acabou virando manchete dos jornais ao ser acusado de tentar matar um ex-amante seu, Norman Josiffe (Ben Whishaw).

Escrita por Russell T Davies a partir do livro homônimo de John Preston, a atração é dividida em três ótimos episódios, todos eles com a direção experiente de Stephen Frears, profissional já indicado duas vezes ao Oscar e inúmeras outras ao Bafta.

Enxuta sem ser relapsa, a trama percorre vários anos das vidas dos dois personagens principais, que se conheceram em 1961. Norman era um garoto de 21 anos que trabalhava em um estábulo em Oxfordshire quando cruzou com Thorpe, mais maduro e já ingresso na vida pública.

O jovem, um tanto instável e sem o seu cartão de seguro social, acaba mudando para Londres e passa a viver à custa do homem com quem se relaciona amorosamente. O caso, todavia, dura poucos anos e, após o término, Norman chantageia o ex-companheiro.

Resoluto de que esta é a única solução, Thorpe pede para o seu melhor amigo contratar alguém para dar fim à vida do homem que passara a contar para qualquer um que tivera relações homossexuais com o parlamentar.

Toda a história é recheada de ares dramáticos e ganha contornos de comédia pastelão. A mistura, que tem grande risco de dar errada, funciona maravilhosamente bem e nos faz ter uma bela experiência ao acompanhar o desenrolar dos fatos.

Não apenas a direção, a fotografia, a arte e o texto são precisos, os atores também merecem um apontamento pelo grande desempenho. Grant está impecável ao encarnar o político. Seus trejeitos exalam força em meio ao patético, uma mistura difícil de compreender, mas muito, muito, muito eficaz.

Whishaw transmite uma inocência que por vezes denota loucura e quase sempre parece perspicácia apresentada como infantilidade. Cativante no tom certo, torna-se um herói sem ser, faz o contraponto correto à figura de seu rival e grande amor.

A história contada, claro, revela muito mais do que o uso de vaselina para o sexo. A homofobia e a hipocrisia da sociedade são traduzidas em um julgamento difícil de acompanhar. Não há como não ficar horrorizado com o tratamento dado pelo juiz, que claramente quer premiar o comportamento de quem se mantém enrustido.

A parcialidade da Justiça, o sensacionalismo da mídia, o oportunismo daqueles envolvidos de alguma maneira no caso. Não é uma história de mocinhos e vilões. É o espelho de uma sociedade adoecida.

Nota (0-10): 10

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