Crítica Maniac: conexões e enfrentamento

O que é real? Essa pergunta martela o tempo todo na cabeça de Owen Milgrim (Jonah Hill), jovem com esquizofrenia que é deixado de lado por sua família rica por causa da doença. Sozinho e desempregado, ele acaba aceitando participar como cobaia de um tratamento farmacêutico radical que promete reparar os problemas da mente.

Como não ser completamente envolvido por uma dor que te acompanhará pelo resto da vida? Annie Landsberg (Emma Stone) viu sua irmã morrer de maneira trágica e desde então sente-se atormentada pelo ocorrido. Elas estavam brigando naquele dia e, mesmo que a lembrança não seja boa, Annie recorre ao uso de drogas para viver aquele momento novamente – por pior que seja, ainda é melhor que uma existência sem Ellie Landsberg (Julia Garner). Viciada, Annie chantageia uma funcionária da Neberdine Pharmaceutical and Biotech para também participar do experimento e ter acesso à pílula.

Owen e Annie são os protagonistas de Maniac, série limitada da Netflix escrita por Patrick Somerville, com base em produção norueguesa homônima, e dirigida por Cary Fukunaga, vencedor do Emmy pela direção da primeira temporada de True Detective e responsável pelo brilhante e sensível filme Beasts of No Nation.

Para dar vida a uma história misteriosa e apaixonante, foi reunido um elenco espetacular. Além de Stone, que recentemente venceu o Oscar de melhor atriz por La La Land, e Hill, que já foi indicado duas vezes pela Academia, ainda há as presenças de Sally Field, dona de duas estatuetas do Oscar e um punhado de outros tantos prêmios, Justin Theroux, protagonista de The Leftovers, Gabriel Byrne, vencedor do Globo de Ouro por In Treatment, e Sonoya Mizuno.

O grupo conduz uma trama que se passa em um futuro próximo com ares de passado. É como se estivéssemos em uma realidade projetada por alguém no século passado, quando ainda não se sabia exatamente quais os avanços tecnológicos que teríamos. Este cenário intrigante, que às vezes confunde, é ideal para um enredo que nos transporta para cenários alternativos e sempre coloca em xeque qual é verdadeiro.

No primeiro dos dez episódios já somos fisgados pela curiosidade. O que de fato está ocorrendo ali? Apesar de nunca terem interagido antes de estarem no prédio da empresa farmacêutica, Owen e Annie estão de alguma forma ligados. Ao iniciarem os testes, eles têm a capacidade de coabitarem essas realidades visitadas a partir do uso de três drogas, cada uma em uma etapa, com intermédio de um computador que está deprimido.

Sim, a máquina está sofrendo e ela é um dos principais personagens da atração. Há muito elementos surreis e até mesmo bizarros. Em mãos menos competentes, provavelmente o resultado soaria trash. Todavia, aos cuidados de alguém tão talentoso quanto Fukunaga, o material é elevado para um nível de arte não tão facilmente alcançado.

Há momentos cômicos na medida certa, bem como dramáticos e tensos – estes embalados por uma trilha musical que impõem sua força ao aparecer. A batida correta dá o tom para as diferentes dores que presenciamos. Owen já não suporta mais ser abandonado ou descobrir que a mulher por quem se apaixonou não é real. Sua voz entrecortada e seu olhar vago são desoladores. Annie está estagnada em um único evento da sua vida. Felizmente, ao fim, consegue fazer aquilo que todo mundo que perdeu alguém que ama e sente-se culpado gostaria: ter uma última conversa, poder abraçar e despedir-se corretamente.

Para superar tal barreira ela precisa da ajuda de Owen, assim como ele precisa do apoio dela. Conexões humanas, entre os profissionais ou os pacientes, mostram-se a salvação para os males da alma. A verdade mais bonita e simples possível é a necessidade do afeto, de compreensão, de empatia, de olhar para o outro, de estar ao lado, de segurar a mão e, se preciso, fugir para bem longe.

Há uma alternativa C.

 

Nota (0-10): 10

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