Crítica The Leftovers S3: o melhor fim possível

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Quando estreou The Leftovers, série criada por Damon Lindelof e Tom Perrotta, havia uma esperança de que ela pudesse ser o novo sucesso comercial da HBO, canal dependente quase exclusivamente de Game of Thrones.

Os episódios foram passando e as expectativas acabaram frustradas. A trama, que se passava três anos após dois por cento da população desaparecer sem explicação, não atraia o público esperado. Veio a segunda temporada, sem reação, e a terceira, com oito capítulos, dois a menos que o habitual, para encerrar a história.

O último ano dá um salto temporal para mostrar os acontecimentos na véspera do sétimo aniversário após o dia do arrebatamento. Há uma grande comoção com relação à data. O pai do protagonista, interpretado por Scott Glenn, acredita, por exemplo, que virá uma grande enchente que só ele conseguirá impedir.

Sua crença é só mais uma entre tantas outras num mundo em que as pessoas correm para a fé na tentativa de entender o incompreensível. Miracle, cidade central da temporada anterior, dá passagem para a Austrália, que é invadida pelos personagens por diferentes motivos.

O melhor de todos certamente é o de Nora, personagem que simplesmente ofuscou as demais tramas com sua dor. Carrie Coon merece reconhecimento pelo trabalho desenvolvido, pois traz tanta verdade para essa trajetória que é percorrida do vazio para o vazio, sempre prestes a explodir, difícil de suportar.

Ela inclusive pega para si um espaço que deveria ser de Justin Theroux e seu Kevin Garvey. Faz isso ao ser a peça central do último capítulo, que é muito tocante, realmente bonito. É o melhor fim possível para uma jornada um tanto agridoce.

Como não ter raiva de John Murphy (Kevin Carroll)? Ou de Matt Jamison (Christopher Eccleston)? São personagens que abusaram da nossa paciência em diferentes momentos da trama. Matt mais recentemente, principalmente durante sua viagem de barco entre a Tasmânia e Melbourne. O deslocamento marítimo só não foi completamente ruim porque nos trouxe uma das cenas mais interessantes da série. O diálogo do religioso com o homem que se dizia ser deus foi incrível, uma demonstração do quanto The Leftovers pode irritar e, logo em seguida, surpreender positivamente.

A forma de desenvolver os arcos narrativos da série como um todo é instigante. Personagens secundários ganham um episódio todo para si para voltar a sumir logo em seguida. Até mesmo o protagonista é deixado de lado, se preciso. Essa certamente é uma ousadia muito bem-vinda. Pena que em determinados momentos é dado espaço demais para algo sem tanto fôlego.

As mortes de Kevin podem ser encaradas de maneiras diferentes – ou você se delicia com a sandice que é a nova realidade que ele imerge ou se aborrece com esse mergulho caótico pela busca da verdade.

Caio na segunda opção, pois parece que a loucura rouba espaço em excesso da coerência na hora do roteiro ser escrito. Acaba sendo um pouco cansativo quando poderia ser genial.

Essa talvez seria a melhor definição para a produção: deu a genialidade em troca de loucuras e mistérios baratos. O episódio derradeiro é a melhor prova do potencial desperdiçado. Ele nos presenteou com um ponto de virada maravilhoso – até Nora contar o que aconteceu, achei que fosse uma união após ambos estarem mortos – e dramaticidade incrível – imagine viver em um mundo onde noventa e oito por cento da população sumiu?

 

Obs: que abertura mais horrorosa colocaram na série.

 

Nota (0-10): 8

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