Crítica Stranger Things S2: incrível aventura pelo mundo invertido

Esqueça por um tempo a existência de tantos aparatos tecnológicos cada vez mais modernos e volte a pensar que é preciso rebobinar a fita antes de ser devolvida, caso contrário paga-se multa. Como assim Lady Gaga e Beyoncé? Estamos nos anos 1980, a música é outra.

Com um ar nostálgico capaz de fisgar até mesmo quem não viveu naquela época, Stranger Things, série de Matt e Ross Duffer, está de volta. Em sua segunda temporada, que tem nove episódios, a produção consegue manter-se tão cativante quanto outrora e expande o universo sem perder o foco.

Após todo o sucesso de público e crítica que obteve, havia certo temor de queda da qualidade. Felizmente, foi mantida a consistência apresentada no ano de estreia e, em vários aspectos, houve avanços.

Com Will (Noah Schnapp) de volta do temido mundo invertido, as coisas pareciam ter melhorado. Entretanto, o que foi diagnosticado apenas como visões decorrentes de um estresse pós-traumático, em verdade era muito mais. Após estúpido conselho de Bob (Sean Astin), o garoto resolveu enfrentar um vilão bem real e acabou sendo possuído. Assim, tornou-se espião deste ser que já havia se espalhado por todo subsolo da cidade de Hawkins enquanto o governo norte-americano achava ter controlado o inimigo queimando rotineiramente a entrada na superfície.

O fio-condutor é uma evolução do que assistimos anteriormente, com a principal diferença de termos mais tramas paralelas sempre avançando de maneira complementar e, mesmo que dando tempo ao tempo, sem ficarem presas em pontos desnecessários.

O principal mérito da atração é conseguir nos fisgar de maneira arrebatadora. Uma vez envolvido pela história, é muito difícil não devorar um episódio após o outro sem pausa. O roteiro preocupa-se em trazer adrenalina sem deixar furos; o quesito técnico é impecável, sendo que até mesmo aspectos como edição e mixagem de som chamam bastante atenção pelo ótimo trabalho; e, sobretudo, o elenco está incrível.

É muito interessante ver como as crianças são bem dirigidas e passam muita segurança e verdade em suas passagens. Principalmente Eleven (Millie Bobby Brown), que já roubou nossos corações. Brown, apesar de muito jovem, entrega um ótimo trabalho e deve repetir as inúmeras e merecidas indicações a prêmios que já teve pela personagem.

Neste ano, sua Evelen ganhou um arco descolado de quase todos os outros protagonistas e levou-nos para um resgate do seu passado. Foi preciso conhecer sua mãe, que sofreu consequências ao tentar resgatá-la muitos anos antes, e outra menina que também tem superpoder e passou por traumas semelhantes, para compreender que sua casa é ao lado dos amigos em Hawkins. A união de Eleven com Hopper (David Harbour) foi benéfica para a história, apesar da briga deles soar exagerada – sabemos do passado de dor de Hopper, mas ele não precisava ter se comportado de maneira tão hostil.

Além dela, Winona Ryder continua excelente e nos emociona com sua preocupação maternal. Deu muita pena de Joyce, sua personagem, na quase reencenação de O Exorcista que tivemos nos momentos derradeiros.

Numa feliz adição ao elenco feminino regular, a série inseriu outra garota para o grupo infantojuvenil, Max (Sadie Sink). Durona, ela arrancou suspiros de Dustin (Gaten Matarazzo), o alívio cômico da série, sempre eficaz, e Lucas (Caleb McLaughlin), com personalidade menos desenvolvida. O único ponto ruim de Max é trazer consigo Billy (Dacre Montgomery), vilão realmente dispensável. Para que um adolescente detestável quando temos vários demogorgons?

Espero que ela cresça em importância nas próximas duas temporadas, que já estão garantidas. Meu único receio com relação ao futuro é cansar do mundo invertido. Todavia, a segunda temporada prova de todas as formas que essa é uma preocupação desnecessária.

 

Obs: a irmã do Lucas é aquela criança que amamos odiar. Vida eterna a ela.

Obs2: o caso de Barb ganhou um desfecho bonito.

 

Nota (0-10): 9

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