Crítica Taboo S1: grunhidos e pólvora

Sob a luz que fura a água feito raios lutando contra a escuridão, os corpos balançam de um lado para o outro no ritmo da correnteza e em conformidade com os acordes que embalam a passagem dos créditos.

A abertura de Taboo, série criada por Chips Hardy, Tom Hardy e Steven Knight, melhor traduz a produção como um tudo: bem executada e com um tom de mistério que seduz, porém sem nada que nos deixe realmente surpresos.

Isso faz dela ruim? Não. Uma boa direção aliada a uma fotografia caprichada, um elenco que em sua maioria dá conta do recado e as pequenas reviravoltas conseguem prender a nossa atenção durante os oito episódios da primeira temporada.

O destaque certamente é Tom Hardy e seu James Delaney. Seu olhar meio psicopata nos faz pensar que há muita coisa passando por trás daquela superfície fria. Os constantes grunhidos dão um tom bruto e estranhamente sensual ao personagem.

Sua história é tão interessante que às vezes atrapalha. Não raro estamos assistindo aos acontecimentos que se passam no ano de 1814, em Londres, e pensamos se não seria muito mais interessante se o pontapé inicial da atração tivesse sido durante o naufrágio e os anos que Delaney passou na África.

Não que a trama contada seja ruim, mas parece menos curiosa que o passado ou o provável futuro navegando para os lados de Nootka Sound – e esses constantes devaneios durante os capítulos são uma prova de que nem tudo funciona tão bem.

Há tantos personagens com relevância na história que fica fácil apontar algumas escolhas não tão boas. A trama do amor incestuoso, por exemplo, nunca chega a vingar. Thorne Geary (Jefferson Hall), o marido traído, só está ali para alimentar o nosso ódio. Zilpha Geary, a esposa que dera seu coração para o meio-irmão, é interpretada por Oona Chaplin sem muito talento. Seus constantes olhos esbugalhados parecem uma versão mais alucinada de Elliot (Rami Malek), de Mr. Robot. Em uma das cenas mais dramáticas, quando James diz não querer ficar com ela, o choro é tão estranho que dá vontade de fechar os olhos e torcer pela cena seguinte.

De certa forma, Zilpha parece nunca se encaixar tão bem na história. Ao contrário de Lorna Bow (Jessie Buckley), uma perfeita comparsa para James. Ela rapidamente cresce em importância e nos faz torcer pelo seu sucesso. É tão agradável de acompanhar quanto Helga (Franka Potente), que infelizmente não tem tantas cenas quanto merece.

Ainda temos, entre outros, Godfrey (Edward Hogg), personagem que mais nos desperta compaixão; Stuart Strange (Jonathan Pryce), que cumpre bem o papel de antagonista; Brace (David Hayman), que já está morto e falta alguém contar para ele; e Dumbarton (Michael Kelly), pronto para umas novas intrigas em House of Cards.

Por mais que não seja indispensável, a série é um bom passatempo enquanto aguardamos o retorno de outras. O fato da temporada ser curta ajuda bastante. Não há pólvora suficiente para segurar mais episódios.

 

Nota (0-10): 7

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s