Crítica The Mist S1: narrativa questionável

Entre os autores cultuados vivos, Stephen King certamente é um dos mais adaptados para o cinema e a televisão. A quantidade, sobretudo, não está tão alinhada assim à qualidade. Por mais que tenhamos grandes obras como À Espera de um Milagre e Um Sonho de Liberdade, de Frank Darabont, há fracassos como o recente A Torre Negra, de Nikolaj Arcel.

The Mist, séria sob o comando de Christian Torpe que é baseada em obra homônima de King, está no limiar entre o bom e o ruim. Podemos considerá-la como uma versão bem menos chata de The Walking Dead, outra produção que peca ao incorporar dramas superficiais numa narrativa de horror.

Na trama, uma névoa misteriosa encobre a cidade e a população precisa ficar dentro de casas e demais estabelecimentos, pois o rápido contato com esse estranho fenômeno da natureza pode levar à morte. Além do motivo para isso acontecer, muitas outras perguntas começam a surgir no avançar da história.

O acréscimo contínuo de mistérios funciona muito bem na produção. Logo nos vemos presos ao enredo e queremos saber qual a evolução do quadro. Todo o drama atrelado à deterioração das relações devido ao confinamento forçado, ao medo e à falta de suprimentos básicos também é satisfatório. A exponencial violência no shopping, por exemplo, é muito crível, levando em conta todo o quadro apresentado.

Acaba que o maior problema reside mesmo na falta de cuidado como são conduzidas as dores dos protagonistas. Pareceu realmente muito forçado o evento do estupro de Alex (Gus Birney) – e isso é bem ruim, já que é a ação que origina boa parte das interações que vemos.

Logo no início, quando Adrian (Russell Posner) diz que ele e a amiga precisam se defender dos outros e, mais adiante, quando Alex conta que foi o amigo quem disse que ela foi abusada por Jay (Luke Cosgrove), fica muito claro ser mentira. Isso é confirmado ainda no início da série, que se preocupa constantemente em mostrar o jovem acusado como uma boa pessoa.

Realmente me parece uma decisão muito discutível apresentar um jovem que sofre bullying como alguém transtornado que é capaz de matar o pai e molestar a amiga – enquanto que o cara heterossexual, cis e branco é a personificação da bondade.

É uma situação que pode passar uma mensagem errada, por mais que toda a violência psicológica sofrida e a falta de amor possam desencadear atos tão desumanos. O problema não reside tanto na história em si, mas na forma como é contada.

E o que ocorre, sinceramente, soa muito mais como uma falta de habilidade do roteiro do que uma visão de mundo distorcida. O fato de ser mostrado o quão cruel a sociedade pode ser ao culpar a vítima de um estupro é uma das provas de que há boa intenção.

Outro exemplo de superficialidade está na narrativa que acompanha Nathalie (Frances Conroy). A soberba atriz não teve uma única cena com intensidade suficiente para nos passar a dor da personagem por ter perdido o marido. Por mais que fosse fácil de entender, foi muito difícil sentir o que ela estava sentindo. Ao menos sua participação evoluiu para uma ótima discussão sobre o quanto a crença pode nos cegar. A morte do padre que a desafiou certamente foi a melhor de todas. Todos os posteriores equívocos de Nathalie ao tentar compreender a névoa enriqueceram ainda mais o cenário.

No fim, ainda tivemos um bom gancho para dar continuidade à história. The Mist está longe do padrão de excelência das melhores produções atualmente no ar. Entretanto, é um agradável entretenimento que ao menos tenta, mesmo que nem sempre com sucesso, dar mais camadas para a trama.

 

Nota (0-10): 6

1 comentário Adicione o seu

  1. Eu estou acompanhando a série é achei as motivações muito forçada e o lance da primavera negra muito confusa pelo menos pra mim ainda n entendi o motivo da névoa,gostei da sua crítica tbm acho que a Natalie ainda n convenceu.😊😘

    Curtido por 1 pessoa

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