Crítica Welcome to Chippendales: sensual e cafona no ponto certo

Se você gosta de Magic Mike – e strippers masculinos de maneira geral –, há uma pessoa a quem agradecer: Somen “Steve” Banerjee, criador do primeiro clube onde homens se despem para mulheres, em Los Angeles.

A saga de Steve, contada no livro Deadly Dance: The Chippendales Murders, de K. Scot Macdonald e Patrick MontesDeOca, foi adaptava para a TV na minissérie Welcome to Chippendales, criada por Robert Siegel para o serviço de streaming Hulu.

O protagonista, por sinal, é o primeiro grande trunfo da produção. Imigrante indiano, Steve, aqui interpretado por Kumail Nanjiani, é resiliente e perspicaz. Parece o herói perfeito, aquele que saiu do nada para conquistar o mundo. Ocorre que suas práticas são cada vez mais problemáticas. No decorrer dos oito episódios da atração, ele vai de mocinho a vilão numa crescente de perversidade.

É interessante acompanhar um personagem não unidimensional. Apesar de Steve ser indiano e sofrer preconceito por causa disso, ele não enxerga problema algum em ser racista com negros e latinos para lucrar. Dinheiro, essa é a palavra mágica que rege a sua vida.

Pena que Nanjiani, ainda que bom, não consegue vestir o personagem de modo adequado. O ator, que ganhou toneladas de músculos para ser mais um super-herói da Marvel, parece engessado ao tentar esconder uma fisionomia desproporcional para uma pessoa comum.

Sobra espaço para Murray Bartlett, que interpreta Nick De Noia, bilhar. O ator, que recentemente venceu um Emmy pela badalada The White Lotus, virou nome de destaque e faz por merecer. Sua atuação em Welcome to Chippendales, pela qual já foi indicado ao prêmio de coadjuvante no Critics Choice Awards, tem frescor e potência. O coreógrafo Nick dá vida um grupo antes desconexo de strippers.

Por falar neles, estão em medida satisfatória. Trazem sensualidade para a trama, que também tem uma boa medida de cafonice por se tratar dos anos 1970 e 1980. É uma combinação que dá certo, pois o roteiro consegue misturar tesão, alegria e crime, além de trazer outras figuras marcantes, como a contadora Irene (Annaleigh Ashford), que se casa com Steve; a figurinista Denise (Juliette Lewis), que vira melhor amiga de Nick; e Otis (Quentin Plair), stripper negro que se afasta por causa das medidas racistas do empregador.

O mais interessante é que quando essa virada de chave de Steve é completada e, assim como a maioria dos personagens, não aguentamos mais ter ele por perto, já estamos na reta final da minissérie – e ele logo começa a pagar pelos seus crimes.

Entre uma cheirada de cocaína e algumas bundas rebolando freneticamente, a trama avança de forma segura. Assim, Welcome to Chippendales se torna uma boa dica para entreter em dias nublados.

Nota (0-10): 8

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