Especial: Troféu Temp 2022

O ano do renascimento: 2022 foi difícil em muitos aspectos, mas a esperança venceu. Com a derrota de Bolsonaro, esperamos que um mínimo de normalidade volte a reinar no Brasil. Chega de ódio, chega de violência, vamos respirar cultura.

Após coroar The Underground Railroad como melhor atração de 2021, o Troféu Temp alcança sua sexta edição. Abaixo, o criador do Temporada, Douglas Roehrs, apresenta as suas escolhas para produções de destaque em 2022.

Melhor atração do ano: Pachinko

Uma produção brilhantemente escrita, filmada, atuada. Um trabalho poderoso que consegue tornar impactante até mesmo cenas singelas, como uma mãe dando arroz branco para sua filha no dia do casamento desta. Pachinko merece mais reconhecimento do público e da crítica. Infelizmente, apesar de celebrada, não teve o alcance que deveria. Para nossa sorte, foi renovada e esperamos que aumente sua base de fãs. A jornada de Sunja e sua família é incrível.

Segunda melhor atração do ano: Irma Vep

Na década de 1990, o cineasta Olivier Assayas fez um longa-metragem chamado Irma Vep, que conta a história de uma produção fictícia do remake do clássico Les Vampires.  Na obra, a atriz Maggie Cheung interpreta ela mesma como alguém que vai à Europa gravar o remake. Em um exercício de metalinguagem, que seria potencializado mais ainda recentemente por Assayas, temos um filme real falando sobre a gravação fictícia de um remake de uma obra real. Em 2022, a HBO Max lança uma nova versão de Irma Vep, agora em formato de minissérie com oito episódios. Igualmente levado a cabo por Assayas, o trabalho consegue instigar mais o público, com tempo suficiente para trazer nuances aos personagens enquanto mistura de modo brilhante ficção e realidade. Quem assume o posto principal desta vez é Alicia Vikander, em um trabalho memorável.

Terceira melhor atração do ano: Severance

A produção é a mais inventiva e instigante a estrear em 2022. Um trabalho que é capaz revelar-se lentamente sem em nenhum momento ficar maçante. Se não há escrúpulos no mundo capitalista real, o mesmo pode ser dito numa ficção que monta um altar para a máquina econômica. O resultado é uma cultura que ilude e massacra. Uma verdadeira prisão para quem não sabe o que é ir para casa ou dormir. Também é uma possibilidade de libertação para o público.

Quarta melhor atração do ano: Abbott Elementary

A comédia criada por Quinta Brunson, que também protagoniza o trabalho, é ambientada em uma escola que integra o sistema público dos EUA e fica na Filadélfia. A estrutura física do colégio pode até ser precária, mas a riqueza da série reside no roteiro e no material humano. O grupo de professores está afinado para dar aula e para nos fazer rir muito.

Quinta melhor atração do ano: Euphoria

Comentada até a exaustão nas redes sociais, a série tem a fórmula perfeita para uma geração que busca seu lugar no mundo sem saber bem o que faz da vida. O grupo problemático em tela gera discussões. Muito se fala sobre não ser a representação real do que adolescentes vivem. A maior pergunta não é se este é um retrato fiel da realidade, mas se a história merece ser acompanhada. A resposta: sim. Euphoria tem um estilo narrativo único que, mesmo confuso às vezes, nos seduz com maestria. Zendaya está de fato sensacional e principalmente no quinto dos oito episódios do segundo ano, intitulado Stand Still Like the Hummingbird, entrega uma performance dilacerante.

Melhores episódios: Dear Billy e The Massacre at Hawkins Lab (Stranger Things)

Escolher a série foi fácil. O episódio, nem tanto. Stranger Things, produção criada pelos irmãos Duffer, chega ao seu quarto ano tão forte quanto no começo e esta temporada nos presenteou com dois capítulos formidáveis: o quarto, Dear Billy, e o sétimo, The Massacre at Hawkins Lab. Na dúvida, melhor deixar ambos.

Melhor performance do ano: Elizabeth Debicki (The Crown)

Na atração, entramos na década de 1990 com firmeza e estes são os anos da princesa Diana. Elizabeth Debicki, sua nova intérprete, faz um trabalho fenomenal. Sua presença é hipnótica e gera a combustão necessária para dar gás à série. O amor que o povo sentiu por Diana é transportado para a ficção e a afetividade da princesa em tela nós deixa apaixonados. Os capítulos focados no drama dela são os mais aguardados do ano, como aquele em que ela é enganada por um repórter da BBC, que a convence a conceder uma entrevista no qual é revelada boa parte de sua intimidade.

Segunda melhor performance do ano: Ben Whishaw (This Is Going to Hurt)

Celebrado como fiel à realidade por muitos agentes de saúde do Reino Unido, o drama de Kay traz encarnando seu criador o ator Ben Whishaw. Seu trabalho é formidável, digno de todos os prêmios possíveis. Em suas mãos, conseguimos nos apaixonar por um personagem complexo e falho. A atuação certeira e o roteiro afinado nos aproximam de um protagonista que, em mãos erradas, poderia nos causar repulsa.

Terceira melhor performance do ano: Yvonne Strahovski (The Handmaid’s Tale)

Em sua jornada após a morte de Fred (Joseph Fiennes), a viúva reacionária viu o seu destino entrelaçado de maneira genial com o da mulher que ela e seu falecido marido violentaram. Aliás, após esta temporada, questiono o que mais Strahovski precisa fazer para vencer o Emmy de melhor atriz coadjuvante. Do luto ao nascimento de Noah, a atriz entregou uma performance dilacerante, uma das melhores do ano. Seu talento precisa ser mais festejado.

Quarta melhor performance do ano: Bridget Everett (Somebody Somewhere)

Somebody Somewhere, comédia da HBO criada por Hannah Bos e Paul Thureen, consegue ser uma dessas preciosidades intimistas que constantemente nos enchem os olhos de lágrimas e fazem gargalhar. A série é inspirada na vida da atriz Bridget Everett, que protagoniza sua própria história. Everett, por sinal, é um furacão em cena. Se Dorothy foi levada para Oz, nós somos transportados para um microcosmo mágico numa Kansas que abandonou o tom sépia. A protagonista Sam nos cativa com facilidade e, ao contrário do que diz, é alguém que sabe ser amiga.

Quinta melhor performance do ano: Lily James (Pam and Tommy)

Fica evidente o poder explosivo de Lily James na minissérie. Ela está irreconhecível. Completamente diferente daquilo que vimos em Cinderella e Downton Abbey. Um arraso.

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