Crítica The White Lotus S2: Sicília e seus encantos

Chegou a hora de fazer um novo check-in. Após o sucesso estrondoso de sua primeira temporada, The White Lotus deixa o Havaí para trás e foca em outro hotel do grupo, este na maravilhosa Sicília, um paraíso italiano que mistura praias deslumbrantes, edificações históricas e uma aristocracia falida.

A crítica ácida aos abastados, uma marca desde o primeiro ano da antologia criada por Mike White, permanece intacta. São comentários aqui e ali que demonstram um descolamento de privilegiados com a realidade. O melhor talvez seja o de Harper (Aubrey Plaza), que diz não ser materialista enquanto descansa feliz em um empreendimento caro que bem representa o que o capitalismo tem a oferecer.

Plaza, por sinal, faz um ótimo trabalho com sua personagem. A atriz, que está badalada pelo filme Emily the Criminal, finalmente faz com que eu consiga separá-la da imagem enfadonha que tinha em Parks & Recreation.

Todavia, quem rouba a cena é o elenco europeu. Se os locais ficaram aos pedaços na ilha dos EUA, chegou a vez da revanche. Valentina (Sabrina Impacciatore), Mia (Beatrice Grannò) e Lucia (Simona Tabasco) têm seus arcos fechados de maneira positiva. Elas saem vitoriosas após saborearem o poder do gozo e do dinheiro.

Quem não se dá tão bem é Tanya (Jennifer Coolidge), remanescente da primeira temporada. Desde seu desembarque na Itália, parecia fazer sentido que este fosse o ano de sua despedida, já que a personagem não tinha nada de novo para contar. Ainda que o desfecho tenha sido bem orquestrado após os gays tentarem matá-la – isso é engraçado pelo contexto fora das telas, em que o público queer tem adoração pela atriz –, só fica um gosto agridoce porque, aparentemente, Greg (Jon Gries) conseguiu o que queria, isso sem precisar fazer a partilha dos bens.

Foi um fim bom, mas com uma jornada que só engrenou no quarto episódio, quando Jack (Leo Woodall) trouxe o lado sexy que estava em falta. Ainda que Mike White seja excelente na construção da história e dos personagens, a primeira metade da temporada poderia ter um capítulo a menos, com alguns minutos a mais nos demais. Após determinadas dinâmicas terem sido estabelecidas com sucesso, poderiam seguir adiante, bem como Quentin (Tom Hollander) e sua trupe poderiam rondar Tanya mais cedo.

Enquanto isso, Bert (F. Murray Abraham) estava desde o princípio e toda sua participação poderia ser sintetizada na frase em que diz que antigamente os mais velhos eram respeitados, agora são só uma vergonha da qual queremos nos livrar. É uma meia verdade. Idosos com pensamentos antiquados realmente queremos deixar no passado, mas Cameron (Theo James) bem mostra que novas safras de cretinos são fabricadas. Logo, não é um problema apenas geracional. De qualquer forma, é uma pena que Abraham não tenha muita utilidade para além disso.

Leia a crítica de The White Lotus S1

De modo geral, The White Lotus produziu mais um acerto. Misturou referências nostálgicas, crítica social ácida e cenários belos. Mal podemos esperar pelo próximo destino. Arrivederci!

Nota (0-10): 7

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