Crítica Somebody Somewhere S1: um arco-íris no Kansas

Há atrações que se destacam pelo alto investimento. Dezenas de milhões gastos para tornar tudo impecável; adicionar efeitos visuais deslumbrantes, comprar figurinos que nos remetem a outras épocas, escalar atores consagrados. Algumas vezes funciona, outras, não.

Também temos produções com baixo orçamento. Um olhar mais intimista que geralmente se volta para o dia a dia de pessoas comuns. Não tentam reinventar a roda, mas mergulhar nas agruras humanas. Alguns resultados são chatos ou pedestres, outros, ricos e profundos.

Somebody Somewhere, comédia da HBO criada por Hannah Bos e Paul Thureen, consegue ser uma dessas preciosidades intimistas que constantemente nos enchem os olhos de lágrimas e fazem gargalhar.

A série é inspirada na vida da atriz Bridget Everett, que protagoniza sua própria história. Everett, por sinal, é um furacão em cena. Se Dorothy foi levada para Oz, nós somos transportados para um microcosmo mágico numa Kansas que abandonou o tom sépia.

A protagonista Sam nos cativa com facilidade e, ao contrário do que diz, é alguém que sabe ser amiga. No decorrer da primeira temporada, com escassos sete episódios, ela monta seu dream team ao lado de Joel (Jeff Hiller) e Fred Rococo (Murray Hill). O primeiro é gay e o segundo, homens trans. Eles trazem cor para um ambiente ainda muito hostil às diferenças, que simplesmente apaga identidades.

Quem também nos faz rir bastante são os pais de Sam, MJ (Jane Brody) e Ed (Mike Hagerty). É uma lástima que Hagerty tenha falecido após a estreia da série. Esse fato da vida real provavelmente fará com que Sam, na ficção, precise lidar com o luto novamente, logo agora que ela começou a se livrar da dor após ter perdido a irmã Holly.

Novos percalços farão parte da vida da protagonista, isso é certo. O reconfortante é que desta vez ela tem um grupo de amigos para lhe dar o suporte necessário em momentos difíceis. Tem também nós, o público, que torce pelo bem dela e da série, que nos entrega um prêmio tão grande quanto sapatos de rubi.

Obs: morri rindo com a Sam flertando com o vizinho, Drew, e dizendo que o nome dele tem quatro letras, assim como fuck.

Nota (0-10): 8

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