Crítica The Handmaid’s Tale S5: June e Serena arrasam em ano robusto

Parece que já passou um século desde a estreia de The Handmaid’s Tale, série de Bruce Miller adaptada a partir de obra homônima de Margaret Atwood. O flagelo constante de June (Elisabeth Moss) e demais pessoas afetadas por Gilead trouxe um peso por vezes quase insuportável para acompanhar.

Com a protagonista finalmente fora do país fictício, ficou no ar a dúvida de como a série manteria sua força e June, a relevância. A quinta temporada, com dez incríveis episódios, veio para mostrar que a atração não apenas sustentou os elementos positivos de outrora, mas conseguiu evoluir em muitos aspectos e entregar um ano tão potente quanto os primeiros.

A dobradinha de June e Serena (Yvonne Strahovski) funcionou com perfeição. Em sua jornada após a morte de Fred (Joseph Fiennes), a viúva reacionária viu o seu destino entrelaçado de maneira genial com o da mulher que ela e seu falecido marido violentaram. Aliás, após esta temporada, questiono o que mais Strahovski precisa fazer para vencer o Emmy de melhor atriz coadjuvante. Do luto ao nascimento de Noah, a atriz entregou uma performance dilacerante, uma das melhores do ano. Seu talento precisa ser mais festejado.

Não que os outros atores não mereçam. O roteiro foi bem generoso com a maioria deles, cada um teve algum momento para brilhar. Luke (O-T Fagbenle), por exemplo, pela primeira vez ganhou o espaço necessário para fortalecer a importância de Fagbenle na trama. A interação de Luke e June foi essencial para entendermos o laço de afeto existente ali, já que desde o princípio da trama, o casal estava quase sempre sem contato algum. Essa construção cuidadosa fez nascer um desejo até então inexistente, o de ver June, Luke e Nick (Max Minghella) juntos no fim do sexto ano. Poliamor por si só já é subversivo em sociedades conservadoras. Tratando-se de Gilead, essa seria uma afronta melhor ainda, já que a relação de poder numa relação de três pessoas, algo já existente no país fictício, seria invertida.

Voltando para o tema territorial, Toronto como ponto central deu oportunidade para focar em assuntos fundamentais até então fora de cena ou com abordagem marginal. O mais impactante foi o nacionalismo de canadenses que queriam ver os estadunidenses fora de seu país. O que vemos ali reflete em muito o que já existe em vários locais do mundo. Refugiados, como os venezuelanos no Brasil, costumam ser mais hostilizados com o aumento do fluxo migratório. Quem pensa apenas em si os enxerga como uma ameaça para o emprego, a saúde, a segurança, enfim, a qualidade de vida existente no local. É triste, mas é real e foi um grande acerto de The Handmaid’s Tale ter esse foco.

Leia a crítica de The Handmaid’s Tale S4

Outro acerto enorme foi realocar as peças de modo que figuras já conhecidas estão agora em posições de poder. Com o comandante Lawrence (Bradley Whitford) ditando as regras, o antagonista da história finalmente ganha forma mais palpável. Até então, ainda que Fred fosse um dos comandantes, a atração estava distante demais do núcleo que mandava. Isso foi consertado. E como Lawrence, assim como Nick, tem relação forte com June, fortalece ainda mais a posição dela como símbolo da resistência. Sem tentar dar ares de super-heroína maniqueísta, a série conseguiu transformar sua protagonista na líder perfeita. Falha, pois é humana. Excepcional, pois luta com todas as suas forças por Hannah e tantas outras pessoas agredidas por um mundo hostil e violento.

Obs: só não dou a nota máxima porque é muito irritante essa insistência da série em focar no rosto de Moss enquanto a atriz faz caretas.

Nota (0-10): 9

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