Crítica The Dropout: falsifique até (não) conseguir

Uma única gota de sangue. Elizabeth Holmes prometia revolucionar a forma como os exames de sangue são feitos. Vendeu sua ideia para a elite econômica e conseguiu a injeção de milhões de dólares na Theranos, start-up que fundou com o propósito de construir a tal máquina do progresso.

Ao lado de Ramesh “Sunny” Balwani, parceiro amoroso e de negócios, mentiu descaradamente enquanto produzia protótipos inúteis. Fraudou, conspirou, colocou vidas em risco. Chegou a entregar resultados não confiáveis a pacientes, tudo para manter as aparências. Então seu mundo desmoronou.

A ascensão e a queda de Holmes são narradas na minissérie The Dropout, uma criação de Elizabeth Meriwether para o serviço de streaming Hulu. Para dar vida à protagonista, foi chamada a atriz indicada ao Oscar Amanda Seyfried, que encarna com perfeição a fraudulenta. Há todo um trabalho de construção da personagem bem visível.

Seyfried vive Holmes do início dos anos 2000 até praticamente os dias atuais – e consegue convencer bem entre uma quase adolescente e uma já na adulta que adota diferentes maneirismos para parecer uma empresária genial.

De toda a história, uma das partes mais interessantes é como a protagonista sabe usar o sexismo da sociedade ao seu favor. Ser mulher em um mundo dominado por homens é desvantajoso. Ao não ser que você seja Holmes e consiga usar essa desigualdade de gênero a seu favor.

Quem também está bem em seu papel é Naveen Andrews, intérprete de Sunny. A dinâmica dele com Seyfried é interessante e complexa. Os dois juntos dão um pouco de gás para o material.

A verdade é que não há nada de errado com The Dropout. Todavia, mesmo assim a produção parece tão esquecível, só mais uma em meio a várias baseadas em pilantras da vida real. Falta algo de especial para elevar o material.

Os fatos reais não ajudam tanto. Como se não bastasse a facilidade com que muitos são enganados por anos, a resolução é frustrante, já que até agora Holmes continua solta. Dá um desânimo.

Bem-vindos ao mundo distante dos contos de fadas, não é mesmo?

Nota (0-10): 6

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