Crítica Pam and Tommy: Lily James e Sebastian Stan arrasam

É bem provável que Pamela Anderson tenha, ao lado de Kim Kardashian, uma das sex tapes mais famosas já vazadas. Os dois fatos mencionados, entretanto, tiveram contextos bem diferentes, bem como repercussões díspares na vida das envolvidas.

Anderson não era o alvo do ódio do eletricista Rand Gauthier, que furtou o cofre de Tommy Lee, à época marido da famosa atriz de Baywatch, e achou a fita VHS nele, nos anos 1990. No entanto, devido ao machismo, quem mais sofreu as consequências do vazamento ilegal foi ela.

A história traumática faz compreender o porquê de Anderson não querer ter ligação com a minissérie Pam and Tommy, criada por Robert Siegel, que dramatiza os eventos. Talvez o problema não seja tanto a volta ao assunto, mas a condução dele. Depois de sofrer com uma avalanche de mentiras, Anderson queria ter certeza que uma produção sobre o assunto refletiria seu ponto de vista. Tanto que está envolvida com um documentário da Netflix sobre o mesmo tema, já anunciado, mas sem data de lançamento.

Toda essa questão de fora das telas fez eu me questionar sobre que crítica deveria fazer. Enrolei durante meses sem saber ao certo se a nota deveria refletir a situação para além do que vejo em cena. Muito pensei e a verdade é que não sei ao certo como agir.

Primeiro ponto: o caso narrado é fonte de dor para Anderson, isso é inegável. Segundo ponto: a minissérie faz um retrato positivo da atriz. Colocado na balança, isso tornaria legal a produção do conteúdo?

Eventos traumáticos, seja lá qual ótica seja filmada, trazem desconforto para a pessoa envolvida. Ao mesmo tempo, a produção audiovisual baseada em fatos reais, ainda mais um tão famoso quanto esse, não necessita de autorização e pode de certa forma recontar a história para além do sensacionalismo anterior.

Por ter empatia por Anderson e perceber o mesmo sentimento vindo da atração, eu entendo que não seja uma aberração Pam and Tommy existir. As mensagens passadas no enredo, por sinal, são interessantes.

Voltando-se especificamente para o produto final, fica evidente o poder explosivo de Lily James, que vive Anderson, e Sebastian Stan, intérprete de Lee. O casal em cena tem química e nunca antes vi os atores em papéis tão bons. James, em especial, está irreconhecível. Completamente diferente daquilo que vimos em Cinderella e Downton Abbey. Um arraso.

A história em si também proporciona uma montanha-russa de emoções interessante. No começo, até torcemos por Gauthier (Seth Rogen) ter êxito no furto e se vingar do comportamento horrível de Lee. Ocorre que quando Anderson vira a pessoa de fato prejudicada com o desenrolar dos fatos, Gauthier vira o antagonista.

Toda a sequência de humilhações vividas por Anderson é triste de assistir. Mesmo que tenha se passado quase 30 anos, ainda hoje precisamos evoluir muito.

Acaba que Pam and Tommy é um produto interessante que nos faz refletir sobre vários aspectos diferentes da história.

Nota (0-10): 7

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