Crítica Love, Victor S3: jornada final fraca

A série Love, Victor, que tem um adolescente gay como protagonista, começou sua jornada como as demais produções do gênero: focando da “saída do armário”. Após essa etapa batida, pode se tornar mais complexa e desafiadora na segunda temporada. A evolução narrativa empolgou e nos deixou ansiosos pela terceira parte, anunciada previamente como a última.

A atração, que foi criada por Isaac Aptaker e Elizabeth Berger e é ambientada no mesmo universo do filme Love, Simon, se esforçou para dar um desfecho feliz para seus personagens, mas gastou seus oito episódios de maneira frustrante e reducionista.

Dramas interessantes como a doença mental da mãe de Felix (Anthony Turpel), o tom crítico da mãe de Lake (Bebe Wood) e a dinâmica no time de basquete de Victor (Michael Cimino) evaporaram parcial ou completamente. No lugar disso, a produção virou uma dança das cadeiras para saber quem ficará com quem, num desfecho digno de novela da pior qualidade onde tudo que importa é alguém acabar com um par romântico.

O único assunto de peso a fugir da lógica de relacionamentos, mas a serviço disso, foi o alcoolismo de Benji (George Sear). É triste que o tema tenha sido abordado de maneira tão rasa. O roteiro foi tão ineficaz em dar algum tom de verdade ao drama que pareceu apenas o que foi, uma maneira qualquer de separar o casal principal até a última cena.

É muitas vezes senso comum que uma pessoa precisa se aventurar um bocado antes de aquietar-se ao lado de alguém que ama – e parece que a série embarcou nessa lógica ao fazer Victor bater suas asas por aí até voltar para os braços de Benji. Uma forma de pensar besta, até porque tendo ele ficado só com uma pessoa ou mil outras, acabará deixando Benji de qualquer forma, se um dia a relação desandar. Nós não assistimos à série com a esperança de que todos achem o amor para o resto de suas vidas. Deixem eles ser quem são: jovens que estão amadurecendo e tendo novas experiências com pessoas que podem ficar do seu lado por uma noite, uma semana, um ano, uma década ou mais, não importa tanto assim o depois.

Para nossa sorte, ao menos o elenco continua tão carismático quanto sempre foi. Dará saudade não apenas daqueles já citados, mais o resto da família de Victor, bem como Rahim (Anthony Keyvan), Mia (Rachel Hilson) e Andrew (Mason Gooding).

Leia a crítica de Love, Victor S2

Também é preciso pontuar que, apesar da história ser fraca, o roteiro conseguiu nos proporcionar algumas piadas eficazes aqui e ali. Uma boa gargalhada suficiente para nos levar ao capítulo seguinte.

Foi bom lhe conhecer, família Salazar. Obrigado por tudo, Creekwood.

Nota (0-10): 4

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