Crítica Sex Education S3: divertida e necessária

Meninas em uma sala, meninos em outra. Conversas sobre gravidez na adolescência e abstinência sexual. No vídeo mofado, um discurso arcaico com pitadas de homofobia. Como a escola do sexo virou-se para o passado dessa forma?

Em sua terceira temporada, Sex Education, série da Netflix criada por Laurie Nunn, continua divertida e necessária como nos anos anteriores. Uma produção que deveria ser tão apreciada pelas premiações quanto é pelo público.

Ainda que o conservadorismo geralmente assuma a face de um homem branco heterossexual de meia idade, é interessante como essa guinada empoeirada na atração aconteça por meio de Hope (Jemima Kirke), a inimiga perfeita para o arco principal desta temporada. Ela é jovem e, em sua primeira aparição, irradia sucesso.

Então entram em cena as linhas divisórias no chão dos corredores. A proibição de piercings e cabelos coloridos. A adoção de uniformes. Aos poucos, ela faz dali um microuniverso conservador onde todos perdem suas identidades.

Se há algo de bom na ascensão da extrema-direita reacionária no mundo, é o lembrete de que precisamos sempre estar atentos e lutar pelos nossos direitos. A democracia e os direitos humanos estão em constante ameaça, caso não resguardados com apreço.

E nossos destemidos protagonistas não demoram a reagir. O resultado pode até ser agridoce, mas uma importante lição foi dada: lute pelo que você acredita ser o certo.

Em meio a esse embate, somos lembrados o quanto Sex Education tem a rara capacidade de fazer com que a gente sinta empatia por todos os personagens. Há uma grande diversidade de histórias – e todas são boas de acompanhar.

Otis (Asa Butterfield), cada vez mais seguro de si, lidera um grupo pelo qual nos apaixonamos com facilidade. Até mesmo a traição de Eric (Ncuti Gatwa), que namora Adam (Connor Swindells), é compreensível porque o texto é bom o suficiente para parecer um passo natural na caminhada de amadurecimento dele.

Leia a crítica de Sex Education S2

Claro que alguns discursos poderiam ser melhor explorados. Quando Maeve (Emma Mackey) diz para outro aluno que acha que tem o pênis pequeno que ele pode usar a língua e as mãos, não se aprofunda a questão do que é ser pequeno de fato. Muitas pessoas reproduzem o discurso de que um pênis deve ter no mínimo 20 centímetros e isso faz com que jovens se sintam constrangidos, ainda que seus órgãos sexuais tenham um tamanho perfeitamente normal, muitas vezes até maiores que a média.

Em contrapartida, a rápida ida de Anwar (Chaneil Kular) a uma profissional de saúde vira uma aula sobre HIV e prevenção nos dias de hoje.

Como bem sabemos, ninguém parará de transar se não falarmos abertamente sobre sexo. O conhecimento não induz o ato, apenas o torna mais seguro. A série, além de entreter, faz jus ao título que carrega. Obrigado por essa aula, Netflix.

Nota (0-10): 9

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