Crítica The White Lotus S1: paraíso escaldante

Um resort de luxo no Havaí. Cenário paradisíaco e acomodações confortáveis. Na bagagem, faíscas de dramas prestes a pegarem fogo e muito privilégio branco.

The White Lotus, minissérie criada, escrita e dirigida por Mike White, traz humor, tensão e loucura para hóspedes e trabalhadores do estabelecimento mais requisitado da HBO neste verão norte-americano.

Com segunda temporada garantida, a produção foi promovida para antologia antes mesmo da exibição do sexto e último episódio do primeiro ano. Com razão: despretensiosa, a atração nos seduz com seu canto de sereia – e se os protagonistas são jogados contra as rochas, nós assistimos a tudo com felicidade.

Quem nos dá boas-vindas é Armond, líder do grupo de empregados interpretado por Murray Bartlett. O ator, que integrou o drama gay Looking e estará na aguardada adaptação de The Last of Us, ganha um papel para lhe dar merecida visibilidade. Se sobreviver ao tempo, sua atuação deve render algumas indicações a prêmios, pois surpreende como a mais robusta ao entrar em uma espiral de decadência.

Os nem tão amáveis hóspedes são a família Mossbacher, com Nicole (Connie Britton), Mark (Steve Zahn), Quinn (Fred Hechinger), Olivia (Sydney Sweeney) e a amiga Paula (Brittany O’Grady); o casal Rachel (Alexandra Daddario) e Shane Patton (Jake Lacy); e Tanya (Jennifer Coolidge).

Após o check-in, pequenos grupos ganham dinâmicas diferentes. A solitária Tanya suga todas as energias possíveis de Belinda (Natasha Rothwell), a gerente do spa. Paula se relaciona com o havaiano Kai (Kekoa Scott Kekumano), interferindo na relação com Olivia. Em lua de mel, Rachel percebe que talvez tenha se precipitado ao casar com Shane. Décadas juntos, Nicole e Mark também enxergam rachaduras em sua união. Enquanto isso, Quinn fica à margem da história – homens brancos, ricos e heterossexuais também sofrem, não?

O grupo chega para bagunçar a vida das pessoas e vai embora como se nada tivesse ocorrido. Filhos dos colonizadores que tomaram para si terras, desfrutam o que consideram ser deles. Ainda que traga uma forte crítica social, o mais fantástico do roteiro é que faz isso sem perder o tom de uma atração que acompanhamos para espairecer após longo dia cansativo. A própria trilha musical, muito interessante, é um convite para relaxarmos.

Um ponto de reflexão fica por conta da fotografia. A utilização de cores quentes, um amarelado que toma conta, me faz lembrar Oriente Médio, México, lugares desérticos dos EUA – e, consequentemente, remete a violência, calor e pobreza. Será que a indústria cultural norte-americana fez um estrago tão grande em minhas percepções?

Para além desse conflito interno, mal posso esperar pelo próximo White Lotus resort que visitaremos.

Nota (0-10): 8

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