Crítica Love, Victor S2: melhor e mais complexa

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Love, Victor, série teen criada por Isaac Aptaker e Elizabeth Berger, ambientada no mesmo universo do filme Love, Simon, está de volta – e em melhor forma na sua segunda temporada.

A comédia dramática dá continuidade à história após Victor (Michael Cimino) revelar sua homossexualidade para os pais. Isabel Salazar (Ana Ortiz), a mãe, é quem pior reage à notícia. Dez semanas depois, na véspera da retomada das aulas, ela trata Benji (George Sear), namorado do filho, com hostilidade em sua casa por causa de sua criação católica.

Esse é um dos problemas enfrentados pelo protagonista. Ele, que é jogador de basquete, sofre resistência por parte do time, que não quer usar o mesmo vestiário frequentado por um gay assumido. Essa subtrama, entre outras, dá poder à atração. Produções do tipo muitas vezes apenas chegam ao ponto da “saída do armário”. Esse é, em verdade, apenas o início de uma caminhada de altos e baixos.

A inserção de Rahim (Anthony Keyvan), adolescente gay muçulmano, é outra bem-vinda novidade do segundo ano. A experiência de ser um jovem queer não branco o faz compreender melhor o que Victor sente. Seu comportamento menos masculinizado também é debatido pela séria. Afinal, todo mundo sabe que as camadas de preconceito são muitas – e gays afeminados sofrem mais. Como a série bem mostra, são julgados pela própria comunidade LGBTQIAP+.

Os demais coadjuvantes, todos interessantes e empáticos, também têm seu espaço respeitado em tela. Felix (Anthony Turpel), meu personagem favorito, precisa lidar com a doença da mãe. Além disso, seu namoro com Lake (Bebe Wood) avança para outro nível ao mesmo tempo que o de Victor e Benji. É interessante ver Victor e Felix compartilhando suas inseguranças sobre a perda da virgindade. A orientação sexual discordante traz suas diferenças para o ato em si, mas o nervosismo pelas descobertas é o mesmo.

De modo geral, senti um pouco de falta dessa interação dos dois neste ano. É uma amizade tão bonita, eles são engraçados juntos. A complexidade de seus arcos, ainda que benéfica para a trama, acabou descolando-os demais.

Leia a crítica de Love, Victor S1

Por falar em arco, o de Isabel, ainda que necessário, soou um pouco estranho. Ela é uma mãe amorosa, seu silêncio prolongado frente à reação positiva inclusive de Armando (James Martinez) ficou deslocado. Claro que é bom ter essa mudança, não tornar apenas o homem o vilão quando muitas vezes as mães discriminam também. Ainda assim, a reação de desconforto só fez mais sentido ao encontrar o filho transando. Esse, aliás, é outro ponto positivo para a série. Ela teve coragem de mostra Victor em uma posição passiva.

Algumas produções, como Elite, conseguem tratar com naturalidade o sexo gay. Outras ainda dão uma visão distante, como se não houvesse receptor em penetração anal. Love, Victor quebrar essa barreira é bom.

A segunda temporada foi um ano de perceptíveis avanços e mal podemos esperar pelo próximo. Que tenhamos muitas outras descobertas para o protagonista de sorriso mais encantador do mundo.

Nota (0-10): 8

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