Crítica The Handmaid’s Tale S4: problemas visíveis

No ano de sua estreia, The Handmaid’s Tale, série criada por Bruce Miller a partir do livro homônimo de Margaret Atwood, teve grande impacto. Recebeu aclamação da crítica, que lhe entregou inúmeros prêmios, e do público, que a transformou na primeira produção de grande sucesso do serviço de streaming Hulu.

As duas temporadas seguintes foram mais questionadas pelo forte nível de violência. Também rendeu discussão a decisão de June (Elisabeth Moss) entregar sua filha bebê para outra fugitiva e permanecer em Gilead. Apesar de entender o motivo de apreensão pelos rumos tomados, ainda enxergava na atração inúmeras qualidades que eclipsavam os pontos fracos.

Então chegou a quarta temporada e seus vícios tornaram-se difíceis de perdoar. Os três primeiros episódios, entre os dez da nova leva, mostram uma série com dificuldade para costurar seu enredo com naturalidade. A personagem Esther Keyes (Mckenna Grace) é uma adição interessante, pois se trata de uma atriz de 14 anos interpretando uma adolescente de mesma idade que é esposa já abusada sexualmente diversas vezes. Entretanto, sua inserção na trama e as nuances do seu comportamento são escritas de modo pedestre. Sem contar que toda a ação dos dois primeiros capítulos resulta em uma nova captura de June, que sofre todos os tipos possíveis de tortura num trecho que transforma a série em uma quase pornografia para sádicos.

Após tantos anos e diversas cenas de agressão, já entendemos bem que Gilead é comandada por pessoas perversas. Colocar a protagonista para sofrer repetidas vezes não apenas mantém a produção num ciclo de dor, mas faz todos perguntarem o quão crível seria alguém escapar viva em tal situação.

Com o avançar da trama, a fuga de June e suas companheiras do veículo onde se encontra Aunt Lydia (Ann Dowd) só reforça a falta de credibilidade de algumas cenas. Parece pouco provável que a segurança para o translado seria tão relapsa e Lydia fosse poupada mais uma vez. Vamos combinar que desde a segunda temporada, quando foi esfaqueada por Emily (Alexis Bledel), ela já faz hora extra.

E sua presença e de Serena (Yvonne Strahovski), bem como os papéis de Nick (Max Minghella) e Joseph (Bradley Whitford), cria uma situação que eu não esperava para a série: as duas grandes vilãs para o próximo ano serem mulheres.

The Handmaid’s Tale sempre fez questão de pontuar a posição maligna de algumas mulheres para a manutenção de um Estado teocrático opressor. Todavia, elas eram peças igualmente oprimidas que orbitavam espaços de poder masculino. A não ser que um novo personagem ganhe força no quinto ano, elas serão as únicas presenças do elenco principal dotadas da aura perversa de Gilead.

Por falar na temporada seguinte, torço para ser a última ou, quando muito, penúltima. Se no primeiro ano do drama já me incomodava os constantes close-ups em June, que em praticamente todas as cenas olha para o nada e chora, agora essa repetição fica quase insuportável. Acho incrível como não percebem o quão maçante é. Tira a força da cena, da personagem, da série.

Leia a crítica de The Handmaid’s Tale S3

Bem sei que é o conto da aia – e a aia em questão é a personagem interpreta por Moss. Entretanto, poderiam tratá-la como os demais em cena, seria um avança. É triste termos uma série com premissa tão boa e produção caprichada boicotando a si mesma.

Obs: o maior destaque para Janine (Madeline Brewer) foi um dos poucos pontos positivos do ano.

Nota (0-10): 6

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