Crítica The Great S1: humor e golpe

Catherine, a Grande, era alemã. Quando chegou em São Petersburgo, todavia, já era russa em seu coração – tanto que se converteu à religião ortodoxa e deixou para trás o nome de batismo, Sophie of Anhalt-Zerbst.

Casou-se ainda adolescente com o príncipe Peter III, em 1745. A tumultuosa relação deu frutos, entre eles Paul I, filho que talvez seja ilegítimo, já que a monarca teve diversos amantes ao longo de sua vida. Dezessete anos após oficializado o matrimônio, Peter ascendeu ao trono da Rússia. Entretanto, seu período no poder foi curto. Catherine, esposa inteligente e amante da cultura, organizou um bem-sucedido golpe.

A História foi escrita – até mesmo pelas mãos da própria imperatriz, em autobiografia – e, agora, é reescrita pelo excelente Tony McNamara. Na abertura da comédia dramática The Great, que em sua primeira temporada teve dez episódios, há um aviso de que a produção ocasionalmente é verdadeira.

Muitas liberdades são tomadas, tantas que realmente não fazemos ideia do que ocorrerá, já que com exceção do pano de fundo da época e de alguns protagonistas e suas características pessoais, estamos diante de um produto puramente fictício.

É um trabalho que facilmente poderia perder-se, mas brilha nas mãos de McNamara, profissional indicado ao Oscar de melhor roteiro original pelo filme The Favourite e ao Emmy pela presente série.

Seu humor ácido lembra muito Taika Waititi e Jojo Rabbit. Piadas como dizer que cantoras de Chernobyl brilham estão no limiar da ousadia, fazendo-nos rir com uma pontinha de surpresa pela perversidade ignorada. Desde o começo da atração, bom lembrar, já somos avisados de que é preciso estar em sintonia com tal tipo de humor, já que não faltam cabeças decapitadas para olhos serem arrancados.

A nossa sorte é que temos um ótimo time de diretores para dar a devida fluidez às cenas e um exuberante elenco com a perspicácia necessária para achar o tom exato de cada frase. Elle Fanning encarna a protagonista com maturidade e naturalidade. Nicholas Hoult entrega-nos um delicioso comandante de loucura potencializada.

Em meio a tantos momentos peculiares, ainda somos brindados com verdades doídas, como o diálogo sobre a primeira mentira vencer, ao referirem-se ao boato de Catherine ter tido relações sexuais com um cavalo.

Com um final aberto no primeiro ano, resta saber se a série terá a coragem de sacrificar dois de seus principais personagens e seguir em frente. A História nos conta que o reinado de Peter durou meio ano e os amantes de sua esposa foram muitos. Que história McNamara nos contará?

Nota (0-10): 9

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