Crítica Raised by Wolves S1: conflito em novo planeta

Após a Terra tornar-se inabitável, um cientista ateu envia dois androides para o planeta Kepler-22b. A missão deles é criar crianças humanas e, distante de todo o terror da grande guerra, fazer nascer uma nova civilização.

O local – palco central da trama de Raised by Wolves, série dramática de Aaron Guzikowski com envolvimento de Ridley Scott na produção –, todavia, também é cobiçado por religiosos fanáticos mitraicos. Ou seja, o conflito ganha sobrevida em território desconhecido.

A androide Mother (Amanda Collin) consegue derrubar uma nave inimiga e capturar algumas crianças que lá estavam, entre elas Paul (Felix Jamieson), que é cuidado por Marcus (Travis Fimmel) e Sue (Niamh Algar), casal de soldados ateus que matou e roubou a identidade dos verdadeiros pais do garoto.

Ao lado de Father (Abubakar Salim), Mother leva adiante seu plano de dar um futuro a Campion (Winta McGrath) e os outros menores. Já os adoradores do deus Sol carecem de um caminho claro e clamam aos céus por alguma revelação.

O cenário, a princípio bem estabelecido, entra em processo de diluição com o avançar do enredo e logo diferentes personagens começam a questionar a própria fé naquela que consideram a sua verdade.

A premissa interessante perde força com a inserção de fenômenos inexplicáveis, que ocorrem em grau crescente de número e intensidade. Como se não bastasse isso, o foco excessivo em crianças chatas não ajuda o público a imergir neste novo mundo, que é pouco explorado durante os dez episódios da primeira temporada.

Se os pequenos pouco ajudam, os adultos não são tão melhores. Fimmel carrega os mesmos trejeitos do seu eterno Ragnar de Vikings, o que nos faz questionar se há algum talento para além do olhar enlouquecido. Em oposição a ele temos dois personagens androides que, bem, são androides – logo, desprovidos de grande carisma, apesar de aflorarem sentimentos humanos neles. Acaba que Sua torna-se a nossa maior esperança de criação de algum laço de empatia.

Na reta final do primeiro ano, os acontecimentos inexplicáveis, que até então apenas incomodavam pouco, causam mais desconforto ao brotarem sem resposta por todos os lados. Ao fim, apesar de deixar muito a ser resolvido na temporada seguinte, a série nos faz questionar se realmente estamos dispostos a continuar assistindo.

Nota (0-10): 5

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