Crítica Lovecraft Country S1: entre a seriedade e a infantilidade

Howard Phillips Lovecraft (1890-1937) foi um escritor de horror e literatura fantástica que criou os mitos de Cthulhu, um panteão de monstros sobrenaturais que influenciou gerações e teve a colaboração de escritores do gênero. Sua escrita cheia de inimigos, apesar de ter um pé na imaginação, deixava o outro enterrado profundamente em sentimentos bem humanos. Os seres bestiais do seu mundo eram, em verdade, a população não-branca do nosso.

Explorado de maneira positiva, o seu universo de preconceitos serviu de base para aterrorizar negros em Lovecraft Country, livro recente de Matt Ruff agora adaptado para uma série dramática por Misha Green, na HBO. A produção, que entra na lista de obras de horror significativas que têm como pano de fundo o racismo, como Get Out, é um grito de libertação contra uma sociedade segregacionista.

Na história, que se passa durante os anos 1950 em uma América de Jim Crow, Atticus Freeman (Jonathan Majors), acompanhado de Letitia ‘Leti’ Lewis (Jurnee Smollett) e tio George (Courtney B. Vance), viaja em busca de seu pai desaparecido, Montrose (Michael Kenneth Williams).

O início, sem sombra de dúvidas, é promissor. Às vezes, estranhamos certas bizarrices dessa trama nada convencional. Entretanto, não demora para nos acostumarmos com aparições e reviravoltas excêntricas.

O problema, todavia, reside numa certa falta de conexão entre temas maduros e algumas missões muito infantilizadas. Um bom exemplo é A History of Violence, capítulo em que os protagonistas precisam passar uma madeira que desaparece em um vão sem aparente fim e a inundação de uma caverna que nos remete a um filme pouco inspirado da saga Indiana Jones.

O roteiro, por sinal, parece querer dificultar algumas coisas sem necessidade, principalmente tratando-se do Livro dos Nomes. Já entre os personagens, não há grande esforço em nos gerar empatia, ainda mais se tratando de Montrose.

Logo, levando em conta ser a perspectiva de alguém que esperava uma das melhores atrações do ano, a série desaponta. Em contraponto, deixa, sim, vontade de continuar assistindo a ela no futuro.

Nota (0-10): 6

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