Artigo: Parks & Recreation e personagens unidimensionais

Parks & Recreation, comédia criada por Greg Daniels e Michael Schur, já tem seu lugar guardado na história da televisão norte-americana. É um daqueles trabalhos com narrativa ímpar que nos deixa apaixonados rapidamente.

Leslie Knope, vivida pela gloriosa Amy Poehler, e sua equipe são insuperáveis tratando-se de arrumar confusão na ficcional Pawnee, localizada no estado de Indiana. Durante sete temporadas, acompanhamos um grupo heterogêneo que aos trancos e barrancos conseguia executar suas tarefas.

Sem sombra de dúvida, estamos diante de uma produção que merece ser reverenciada. Entretanto, ela, que guarda fórmulas prontas do seu gênero, não está livre de falhas, claramente percebidas quando a atração apresenta-se para o escrutínio do público.

Seus personagens são, infelizmente, unidimensionais. Assim como Leslie mantém-se uma workaholic hiperpreparada durante a quase totalidade da trajetória, Ron Swanson (Nick Offerman) fixa-se em ser o calado improdutivo, April Ludgate (Aubrey Plaza) a má funcionária desdenhosa, Andy Dwyer (Chris Pratt) o bobão burro e Tom Haverford (Aziz Ansari) o mulherengo péssimo em cantadas.

Você pode argumentar que a grande maioria das comédias faz o mesmo e nem por isso são ruins. A diferença, quando há, é que algumas não se apoiam apenas nas mesmas características para desenvolver o humor. As que assim o fazem, normalmente se tornam cansativas no passar dos anos.

Também pode dizer que, por exemplo, Jerry Gergich (Jim O’Heir) teve seu reconhecimento após anos de zombaria – uma mudança na reta final que não apaga o fato do humor por ele ser destrambelhado nunca ter funcionado. Vê-lo esbarrando em móveis e quebrando objetos não é exatamente um humor refinado.

Ter personagens tão característicos até pode funcionar num primeiro momento. No entanto, podemos citar alguns trabalhos que provam que despertam mais irritação do que risos em longo prazo.

Sheldon Cooper (Jim Parsons) é quem nos primeiro atrai para The Big Bang Theory. Seu comportamento peculiar é chamariz para situações embaraçosas e engraçadas. Anos depois, deixa de surtir o mesmo efeito e apenas incomoda.

Essa pouca flexibilidade torna o espetáculo mais previsível. Todo mundo sabe qual será a reação de Tracy Jordan (Tracy Morgan) de 30 Rock. Ou de Rosa Diaz (Stephanie Beatriz) de Brooklyn Nine-Nine. A salvação para tais momentos cabe àqueles personagens de temperamento mais ameno. No caso de Parks & Recreation, fica a cargo de Ann Perkins (Rashida Jones), Bem Wyatt (Adam Scott) e Chris Traeger (Rob Lowe). Não que eles sejam melhores, mas são necessários para contrabalancear a inserção das pessoas mais impulsivas. São um ponto de leveza, um respiro. É preciso um descanso após a turbulência.

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