Crítica Hollywood: da realidade ao sonho

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Ryan Murphy tem sido muito eficaz em dramatizar histórias reais na televisão. Dois bons exemplos são Feud e American Crime Story. Enquanto a primeira minissérie trouxe o confronto épico entre Bette Davis e Joan Crawford, a segunda nos apresentou os casos policiais envolvendo O.J. Simpson e Gianni Versace.

Ao lado de Ian Brennan, desta vez ele volta um pouco mais no tempo para mostrar em Hollywood, produção com sete episódios da Netflix, o mundo cinematográfico para além do glamour, na década de 1940.

Nesta mistura de realidade e ficção, sobressai a última. Muitos personagens fictícios dividem a tela com figuras lendárias em um conto com muita liberdade poética. Ao ser pago tributo à capital do cinema, vislumbra-se um mundo que maturou muito mais rapidamente o respeito ao próximo, trazendo uma visão que oscila entre o simpático e o infantilizado.

Não que seja errado reimaginar a História com cores mais vivas. O problema é ir da realidade ao sonho como num passe de mágica. Claro, é preciso concordar que o enredo, desde o seu começo, é dotado de certa magia presente em obras mais leves de Murphy, como Glee.

Mesmo um tema polêmico como a prostituição masculina ganha ares de brincadeira inofensiva. Jack Castello (David Corenswet), nosso galã protagonista, só está fazendo o necessário para colocar comida na mesa. Ernie (Dylan McDermott) rapidamente o convence a realizar tal trabalho – o que mostra o comprometimento da atração com a fluidez da trama, em detrimento do quão verossímil possa ser.

Essa mesma velocidade, que pode causar estranhamento, ajuda a nos fisgar. Logo estamos comprometidos a torcer para que Camille (Laura Harrier), Raymond (Darren Criss) e Archie (Jeremy Pope) tirem do papel o seu filme. O último personagem, por sinal, torna-se o namorado de uma versão mais libertadora de Rock Hudson (Jake Picking).

É lindo ver Hudson, que nunca tornou pública a sua homossexualidade na vida real, caminhar de mãos dadas com outro homem no tapete vermelho de um Oscar que viria a ser tornar nada menos que histórico.

Se nossa sociedade apenas premia uma negra como melhor atriz no ano de 2002, Camille toma o lugar de Halle Berry na fábula murphyana para realizar o feito bem antes. Tudo isso com direito à participação especial de Hattie McDaniel (Queen Latifah), estrela do clássico Gone with the Wind.

Mesmo que um pouco aquém do esperado, Hollywood tem ótimo elenco, reconstituição de época de encher os olhos e grita para todos que mudanças são necessárias. Você pode até não gostar, mas o recado foi dado de forma efetiva.

Nota (0-10): 7

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