Crítica The English Game: uma partida sem gol

Futebol é, sem sombra de dúvidas, o esporte mais popular do mundo. São cerca de quatro bilhões de fãs ao redor do globo. O Brasil está entre as nações onde a modalidade tem muita popularidade. No entanto, apesar de ser considerado o país do futebol, não é o seu berço.

Com o intuito de resgatar a origem moderna do esporte, a Netflix apresenta a minissérie The English Game, uma criação de Julian Fellowes. A produção acompanha Fergus Suter (Kevin Guthrie) e Jimmy Love (James Harkness), os dois primeiros jogadores a serem pagos para entrar em campo, isso em uma época em que o torneio era composto apenas por times amadores.

Inglaterra, 1879. Para disputar as quartas de final da Football Association Challenge Cup, James Walsh, dono do clube Darwen FC, composto por operários, resolveu contratar profissionalmente dois reforços, medida que ia contra as regras da copa e enfureceu os Old Etonians, time adversário com integrantes da alta sociedade.

O fato dá início à trama, que, infelizmente, não se mostra tão empolgante. Fellowes, que já venceu um Oscar de melhor roteiro por Gosford Park e comandou a aclamada série Downton Abbey, mostra-se pouco inspirado. A luta de classes, tema latente no enredo, é a única com saldo positivo ao final.

As partidas em si, dramaturgicamente falando, não saem do zero a zero. Por mais que seja a razão de existir da produção, o fazer futebol continua, em muitos aspectos, sendo um mistério ao fim do sexto e último episódio – único que traz uma partida realmente empolgante, já nos minutos finais da atração.

As subtramas carregadas pelos personagens pouco acrescentam à obra. Arthur Kinnaird (Edward Holcroft) e Margaret Alma Kinnaird (Charlotte Hope) são bons exemplos. O casal, antes de cair nas graças do público, sofre uma grande perda e esse drama os acompanhará até próximo ao fim. Ocorre que não se tratam de pessoas que nos despertem tanta simpatia. Para piorar, não há sutileza tampouco nuances suficientes para a progressão da trama.

Os problemas familiares de Suter também ganham frágeis pinceladas. O engraçado é que essas tramas menores parecem ocupar um precioso tempo que poderia ser dado para o desenvolvimento do esporte. No fim, nada parece ser tratado com o devido respeito – é como se estivéssemos andando em uma ponte construída em terras secas.

Mesmo que decepcionante, The English Game tem seu atrativo ao retrator o passado do futebol. Quem dera tivéssemos menos amadores em um universo repleto de profissionais.

Nota (0-10): 6

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