Crítica The Morning Show S1: reflexo do Me Too

O movimento Me Too trouxe os holofotes do mundo inteiro para um problema grave: o abuso sexual contra mulheres, principalmente no trabalho. De maneira viral, espalhou mensagens que atingiram muitos homens, sendo o caso mais notável a queda do produtor de cinema Harvey Weinstein.

Muito se pode discutir sobre essa onda que abalou as estruturas de sociedades patriarcais machistas. O que representou para as mulheres que se sentiram encorajadas a relatar seus casos? Os assediadores, passado o impacto inicial, realmente sofreram as consequências de seus atos?

Um dos reflexos do movimento pode ser visto na ficção. Um bom exemplo é The Morning Show, série criada por Jay Carson e Kerry Ehrin que recentemente teve os dez episódios da primeira temporada disponibilizados no Apple TV+.

A produção, que é uma das apostas do novo serviço de streaming, não poupou recursos. Três nomes de sucesso protagonizam a trama. Jennifer Aniston interpreta Alex Levy, uma âncora experiente do noticiário fictício que dá nome à série. Reese Witherspoon encarna Bradley Jackson, jornalista esquentada que se torna conhecida ao discutir com um manifestante durante a pauta. Já Steve Carell dá vida a Mitch Kessler, ex-colega de Levy que foi demitido após vir a público seu comportamento predatório.

A premissa é atual e boa. O elenco é ótimo. O roteiro consegue fazer ganchos com vários acontecimentos reais importantes. Entretanto, às vezes escorrega um pouco e torna-se quase panfletário.

Watchmen, por exemplo, traz em seu enredo o racismo e o florescimento de supremacistas brancos. Por mais direta que a atração seja ao criticar, em nenhum momento cria diálogos expositivos sobre a situação. O problema é abordado o tempo todo sem frases de efeito e discursos edificantes. The Morning Show, por sua vez, tem um texto que em alguns momentos carece dessa inteligência. São poucos em verdade, mas existem.

O drama também abusa do pacto entre obra e espectador ao querer que se acredite que uma emissora minimamente séria permitiria a inserção de Jackson da maneira como foi feita. Chega a ser um tanto ofensivo para jornalistas dizer que alguém inexperiente conseguirá comandar praticamente sem problemas um programa matutino ao vivo após um fim de semana de testes.

Claro que a produção precisa de reviravoltas e drama. E, vamos combinar, a Shonda Rhimes, que é tão admirada por muitos, vai bem além no quesito loucura no ambiente de trabalho.

No fim das contas, The Morning Show pode até ser falha, mas sabe nos prender em sua trama. A segunda temporada, já garantida, talvez dê foco em outros conflitos e consiga se mostrar mais bem lapidada. Assim esperamos.

Nota (0-10): 8

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