Crítica Watchmen: o terror supremacista

O filme Watchmen, de Zack Snyder, lançado em 2009, é um tanto difícil de acompanhar – ainda mais para quem assistiu à versão de três horas e meia. Baseado na HQ homônima de Alan Moore e Dave Gibbons, o trabalho traz uma história cheia de idas e vindas, mas principalmente centrada em 1985, em plena Guerra Fria. O temor de um desastre nuclear proveniente do conflito move a trama.

Décadas após a publicação original, o medo é outro. Supremacistas brancos não têm vergonha de mostrar a sua cara e discriminar abertamente pessoas de cor. Esse levante nefasto com ares de Ku Klux Klan é incorporado ao roteiro da série da HBO Watchmen, de Damon Lindelof.

Com sua história situada em 2019, a produção televisiva serve como continuação para o material anteriormente publicado. Alguns personagens presentes no enredo do século passado retornam e ganham a companhia de outros.

A nova protagonista é Angela Abar (Regina King), mulher negra que trabalha como vigilante para a polícia de Tulsa, em Oklahoma. Ela é casada com Cal (Yahya Abdul-Mateen II) e mãe de três crianças. Assim como os demais membros da polícia, esconde seu verdadeiro emprego.

Após a Noite branca, quando quase todos os policiais foram mortos, os agentes da lei passaram a usar máscaras. Enquanto isso, os inimigos trabalham em um projeto desconhecido e, durante o transporte de material, um dos racistas mata um policial. O incidente coloca os agentes em alerta – e a morte do comandante Judd Crawford (Don Johnson) traz consigo grandes revelações.

São muitos mistérios nesta que é uma das atrações mais relevantes e bem feitas deste ano. O texto flui com calma e amarra as muitas pontas soltas. Um bom exemplo é a jornada de Adrian Veidt (Jeremy Irons), também conhecido como Ozymandias. A cada um dos nove capítulos um pouco mais é conhecido por nós. No fim, tudo faz sentido e é perfeitamente encaixado.

Lindelof, que trabalhou nas aclamadas séries Lost e The Leftovers, mostra mais uma vez seu talento. Há reverência ao trabalho de Moore e, ao mesmo tempo, identidade própria. A ótima trilha musical nos faz emergir em um drama tão atual quanto angustiante.

É um trabalho que certamente merece ser conferido. Tão bom, por sinal, que fez eu querer comprar a HQ e aprofundar meu conhecimento sobre este universo tão rico e digno de discussões.

Nota (0-10): 10

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