Crítica The Crown S3: nova fase

Após duas temporadas primorosas sob o comando firme de Claire Foy no papel da rainha Elizabeth II, o drama The Crown, criado e roteirizado por Peter Morgan, está de volta para abordar uma nova época histórica, agora com a vencedora do Oscar Olivia Colman como protagonista.

O padrão de excelência é mantido não apenas por esta, mas também pelos novos profissionais que a cercam. Helena Bonham Carter, que vive a princesa Margaret, rapidamente seduz quem assiste a ela. Seja dentro ou fora da tela, é difícil manter-se impassível frente a uma pessoa eternamente atormentada por não ser a primogênita. Não basta estar sempre à sombra da rainha, seu casamento igualmente é fonte de tortura. Pena a personagem sumir da trama em alguns episódios – para voltar, vale ressaltar, de modo magistral na season finale.

Já Tobias Menzies passa a encarnar Philip, outra peça do tabuleiro insatisfeita com os poderes diminutos que tem. Gostaria de ser o rei, mas não passa de um bispo, talvez um cavalo, quem sabe uma torre. Certamente é um dos personagens mais desagradáveis da trama, diria que não passa de um mal necessário, já que estamos falando de uma obra baseada em fatos reais.

Quem também entra em cena é Josh O’Connor e seu frágil príncipe Charles. Para quem enxerga o monarca hoje como uma figura empalidecida, apagada frente ao brilho mais lustroso dos filhos Harry e William, é surpreendente logo criar empatia pelo personagem meio desengonçado. Se Margaret nos seduz pela ousadia, Charles faz o mesmo por meio da doçura.

Essas e outras pessoas públicas dão a dinâmica de uma trama brilhantemente escrita. Grandes saltos temporais poderiam deixar tudo muito desconexo, perdido. Todavia, Morgan acerta ao transformar cada capítulo em um média-metragem com resoluções próprias. Todos os episódios funcionam muito bem de modo isolado. Ao mesmo tempo, carregam um pouco mais adiante os conflitos de décadas.

A direção sempre precisa torna tudo mais mágico. A trilha musical bem pensada energiza os momentos de tensão. A fotografia exemplar faz de cada cena um deleite. O figurino bem desenhado nos leva aos anos retratados. Enfim, é uma superprodução em todos os quesitos.

Leia a crítica de The Crown S2

Há quem critique a série como se fosse uma grande propaganda da realeza britânica. Realmente não consigo ver dessa forma. Pelo contrário, por sinal. A proximidade releva falhas, faz desses seres coroados meros mortais, pouco significantes do ponto político.

The Crown não é panfletária. Ela revela uma complexidade que em mesmo grau pode seduzir ou causar aversão. Seja qual for a reação, é preciso concordar sobre a relevância da atração.

Nota (0-10): 10

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