Crítica When They See Us: racismo institucional

Ava DuVernay é um dos grandes nomes da indústria cultural na atualidade. Ela não apenas entrega obras tecnicamente impressionantes, mas também aborda um tema que necessita enfretamento de todos: o racismo.

A grande prova do seu comprometimento está em sua filmografia. O drama Selma, baseado em um fato histórico vivido por Martin Luther King, é de uma sensibilidade ímpar. Já o documentário 13th, sobre a continuidade da escravidão de maneira velada, nós coloca de frente com uma realidade perturbadora.

Nessa linha nasce a minissérie When They See Us, que, por meio da ficção, resgata uma história com início em 1989, quando cinco garotos negros foram acusados de estuprar e tentar matar uma mulher branca, no Central Park.

À medida que a trama é contada, cresce um desconforto no espectador. Há tantos indícios de racismo institucional na polícia que fica impossível não se sentir desolado. Toda nova etapa da investigação é executada com a finalidade de incriminar os jovens – e não realmente solucionar o caso.

Para ficar bem claro, esta não é uma produção de final feliz. Não quero dizer que o pior tenha acontecido. Todavia, depois de tanto sofrimento, simplesmente qualquer resolução, por mais positiva que possa ser, deixa um gosto agridoce.

DuVernay, mais uma vez, entrega uma obra com perspicácia e coração. Realizadora experiente, sabe tirar o máximo potencial dramático dos acontecimentos sem em nenhum momento resvalar para um sentimentalismo barato. Sua direção é precisa, tocante e bela.

As cenas são dotadas de uma plasticidade inebriante. O diretor de fotografia Bradford Young, que já foi indicado ao Oscar pelo seu trabalho em A Chegada, de Denis Villeneuve, prova que a parceria recorrente com DuVernay é acertada.

O elenco também sai-se muito bem. Asante Blackk, que vive Kevin Richardson; Caleel Harris, intérprete de Antron McCray; Ethan Herisse, responsável por Yusef Salaam; Marquis Rodriguez, que encarna Raymond Santana Jr; e Jharrel Jerome e seu Korey Wise estão ótimos em cena. Eles ainda são assistidos por grandes nomes como Vera Farmiga, Famke Janssen e Joshua Jackson.

Um ponto curioso da trama – para não dizer nefasto – é a presença do atual presidente dos Estados Unidos, Donald Trump. À época, ele espalhava seu ódio e pedia pelo retorno da pena de morte no estado. Inclusive gastou rios de dinheiro em publicação de página inteira na mídia impressa.

Acaba que When They See Us não é apenas mais uma produção da Netflix. Ela é uma daquelas obras que devem ser vistas. Sua importância é muito maior do que a tristeza que nos faz sentir.

Nota (0-10): 10

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