Crítica Cine Holliúdy S1: humor e amor ao cinema

Quando assisti às armações de Chicó e João Grilo foi como se tivesse entendido o significado da palavra humor. O Auto da Compadecida é um clássico do cinema brasileiro. Como instantaneamente alcançou essa marca não é preciso explicar. Basta saber que foi assim.

A magia do teatro há muito tempo encanta plateias. Um dos espetáculos mais deliciosos que tive a honra de presenciar foi As conchambranças de Quaderna, baseado na obra homônima de Ariano Suassuna. É tão divertido que saí do Theatro São Pedro muito mais leve que entrei.

Tratando-se do humor nacional, tenho essas duas obras como referência, uma no cinema e outra no teatro. O que elas têm em comum? Ambas exaltam a força do Nordeste para fazer arte. Logo, havia muita expectativa para acompanhar Cine Holliúdy, série da Globo adaptada por Halder Gomes a partir de dois filmes seus.

Sem rodeios, é preciso dizer que a obra, assim como as outras citadas no texto, sabe muito bem como divertir. Um elenco afiado faz a gente se apaixonar pela pacata Pitombas, pequena cidade que vive, na década de 1970, um feroz duelo entre a televisão e a sétima arte – ambas em busca da atenção do mesmo público.

Como herói temos o carismático Francisgleydisson (Edmilson Filho), dono do cinema da cidade com dificuldade para manter o empreendimento. Sua história ganha como pano de fundo a comédia romântica com a chegada de Marylin (Letícia Colin), a mocinho filha da primeira-dama, Maria do Socorro (Heloísa Périssé), e enteada do prefeito Olegário (Matheus Nachtergaele).

O grupo de protagonistas ainda é composto por Munízio (Haroldo Guimarães), o ajudante de Francis; Jujuba (Gustavo Falcão), o ajudante de Olegário; Lindoso (Carri Costa), político representante da oposição; Belinha (Solange Teixeira), esposa deste; e Delegado Nervoso (Frank Menezes).

Todos estão muito bem em seus papéis, que são criados a partir da fórmula perfeita para arrancar risos. Claro que o estilo caricato nem sempre trabalha a seu favor, levando em conta a época que vivemos. Há uma linha muito tênue, por exemplo, entre uma bobice inerente ao produto como um todo e a utilização de uma imagem estereotipada da homossexualidade.

A série, todavia, por meio da fala da personagem de Heloísa Périssé, é muito mais respeitosa do que o filme original – que parei de assistir quando há uma piada claramente LGBTfóbica.

Por falar no filme, sua estrutura narrativa é bem confusa, com uma edição que não ajuda muito a tornar a história mais compreensível. Muito diferente do derivado televisivo, que é agradável de acompanhar e presta homenagem a diferentes gêneros em seus episódios.

Seja lutando contra ETs ou vampiros, Francis consegue entregar uma obra única e agradar tanto os moradores de Pitombas quanto nós, que temos o privilégio de acompanhar uma atração com o mais fascinante sotaque brasileiro.

Nota (0-10): 8

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