Crítica Aruanas S1: luta contra o retrocesso

Julho de 2019 atingiu a triste marca de mês mais quente já registrado no planeta Terra. A deglaciação está crescendo assustadoramente e tende a aumentar o nível dos oceanos, além de liberar o dióxido de carbono e o gás metano que estão presos sob o gelo, retroalimentando o fenômeno do aquecimento global. O clima está cava vez mais temperamental – e a Amazônia, um conjunto de ecossistemas de riqueza inestimável, segue sendo devastada por mãos humanas.

A tentativa de impedir tanta destruição move a trama de Aruanas, série da Globoplay criada por Marcos Nisti e Estela Renner. De um lado temos os garimpeiros ilegais. Do outro, uma ONG de ambientalistas.

Para comandar a resistência, foram chamadas atrizes de peso: Débora Falabella vive a jornalista Natalie Lima; Leandra Leal encarna a ativista Luiza Laes; Taís Araújo dá vida à advogada Verônica Muniz; e Thainá Duarte nas apresenta a aprendiz Clara Ferreira.

O grupo, que ainda conta com muitos outros membros, alguns mais presentes na trama, precisa embarcar em uma missão para dar um basta na atividade de mineração que está contaminando a água e, consequentemente, adoecendo ribeirinhos.

Do outro lado do campo de batalha surge Luiz Carlos Vasconcelos, perfeito no papel do empresário Miguel Kiriakos, acompanhado das presenças de Camila Pitanga e sua implacável Olga Ribeiro, Gustavo Falcão com o submisso Felipe Braga e Claudio Jaborandy com o delegado Décio.

O elenco certamente não deixa a desejar. Dá força a uma produção que mais uma vez comprova o potencial da Globo para projetos não tão extensos quanto novelas, algo já visto anteriormente em atrações como Justiça e Amores Roubados.

Leal particularmente nos empolga com uma personagem que mistura inteligência com força física. Ela aproxima a série, que bebe de várias fontes, do gênero de ação. O drama, claro, não pode ficar de lado. Está tanto no arco principal quanto nas relações particulares das protagonistas – clichês, sim, mas necessárias para que Aruanas não pareça uma mera propaganda do Greenpeace.

Em uma época tão sombria para o país, que é governado pela gangue truculenta e ignorante de Jair Bolsonaro, esta produção é um sopro de esperança. O lado falho do trabalho é relegar a meros coadjuvantes mal dirigidos aqueles que deveriam ser os protagonistas: os índios.

Além disso, é preciso frisar que as cenas de ação são realmente mal orquestradas. O momento mais chocante que vemos, que é o massacre de uma comunidade indígena, carece de emoção e adrenalina, por exemplo.

São ajustes que precisam ser feitos, mas nada que tire a beleza e a importância da obra. Encerro com Céu Azul, de Jaloo e Mc Tha, música tocante que faz parte da trilha da série.

Nota (0-10): 7

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