Crítica Chernobyl: arrogância e mentiras

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Um desastre nuclear de proporções imensas. Milhões de vidas em perigo e, enquanto isso, uma teia de mentiras acobertando o que de fato ocorreu e ainda poderia ocorrer. Uma corrida contra o tempo para a catástrofe não ser ainda maior. Muitas pessoas expostas ao perigo por causa de uma mistura de arrogância, ignorância e descaso.

A explosão de abril de 1986 não apenas colocou em ruínas parcela de uma usina nuclear, mas também os sonhos de muitos e o destino de uma nação, a desmembrada União Soviética. O caso é detalhadamente narrado em Chernobyl, minissérie de Craig Mazin que, em cinco episódios já disponíveis na HBO, conseguiu conquistar crítica e público com seu primoroso resultado.

Na história, Jared Harris encarna Valery Legasov, físico que trabalhou intensamente para conter os problemas resultantes do acidente; Stellan Skarsgård é Boris Shcherbina, vice-presidente do Conselho de Ministros que supervisionou a gestão da crise; Emily Watson vive Ulana Khomyuk, personagem fictícia que representa todos os demais cientistas que trabalharam para resolver o problema; e Paul Ritter é Anatoly Dyatlov, engenheiro vice-chefe da Usina Nuclear de Chernobil que supervisionou o experimento fatal.

Esses e outros personagens, entre eles o próprio Gorbatchev (David Dencik), movimentam uma trama costurada de maneira exemplar. O texto é perfeito ao instaurar o clima de tensão frente ao desconhecido. Assim como os bombeiros que são chamados para apagar o incêndio resultante da explosão, os espectadores também estão alheios à verdade, que só irá ser inteiramente revelada no último capítulo, após muita investigação.

O que mais chama atenção num primeiro momento é a grande preocupação do Estado não com o bem da população, mas com sua imagem perante o resto do mundo. A verdade é acobertada e uma sucessão de erros ocorre para encobrir todos os outros já cometidos no passado.

É impressionante como a cidade de Pripyat, no norte da Ucrânia, só foi evacuada quando era inegável o fato. Na Alemanha, distante do local, crianças foram aconselhadas a não saírem às ruas e, enquanto isso, as pessoas transitavam livremente no epicentro do problema, sem que o governo desse o devido cuidado para a situação.

Há muito sobre o que se pensar assistindo à produção, que foi gravada com esmero. A reconstituição de época é fenomenal, com figurinos e cenários caprichados. A fotografia captura o ar desolador que há, com imagens soturnas e pequenos movimentos que nos aproximam mais do documental.

No time de excelentes atores, destaca-se Skarsgård, que nos faz transitar entre o ódio à sua figura e, posteriormente, a empatia. O profissional parece nome certo para a temporada de premiações. Não apenas ele, claro. Como um todo, a minissérie merece o reconhecimento que está tendo e ainda terá daqui para frente.

Nota (0-10): 10

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