Crítica True Detective S3: passado que assombra

True Detective, antologia da HBO criada por Nic Pizzolatto, estreou em 2014 da melhor maneira possível. Cary Joji Fukunaga conduziu com maestria a história da dupla vivida por Matthew McConaughey e Woody Harrelson. O trabalho não apenas rendeu boa audiência, mas também uma infinidade de prêmios e indicações.

Então veio o segundo ano, em 2015, e tudo desmoronou. Devido a conflitos, Fukunaga deixou a direção dos episódios e levou consigo o seu habitual apuro técnico. O que antes parecia extraordinário virou mundano – e o texto de Pizzolatto, que é responsável por todos os roteiros, era confuso e maçante.

Da glória para a frustração em curto período de tempo. A constatação óbvia da perda de qualidade colocou freios na obra, que teve sua terceira temporada lançada apenas agora, em 2019.

Com Mahershala Ali, Carmen Ejogo e Stephen Dorff como protagonistas, a atração olha para o passado em busca de redenção. No enredo, os detetives Wayne Hays (Ali) e Roland West (Dorff) precisam solucionar o desaparecimento de dois jovens irmãos, um menino e uma menina. O caso desenrola-se em três diferentes épocas, 1980, 1990 e 2015.

Na linha temporal mais recente, os policiais já são idosos. Eles precisam revisitar o caso, fechado precipitadamente duas vezes, para enfim descobrir a verdade. O que fica mais evidente nesse emaranhado de pistas é a falta de uma condução adequada da investigação.

Esqueça a figura do profissional brilhante. Ao querer estender o caso para além do que ele merece, Pizzolatto absurdamente faz os protagonistas ignorarem pistas que simplesmente não poderiam ser tratadas com o descaso que foram.

A trama até começa bem. No entanto, logo deixa de ser atrativa e só volta a empolgar um pouco em sua reta final. O que se sobressai no material é a atuação do elenco principal, pois todos estão em ótima forma. Dorff está em pé de igualdade com Ali, atual vencedor de Oscar, bem como Ejogo, que faz o papel de esposa deste. Scoot McNairy e Mamie Gummer, que interpretam Tom e Lucy Purcell, respectivos pai e mãe das crianças desaparecidas, igualmente têm um bom desempenho.

Pena não serem apoiados por uma história que deveria suscitar mais curiosidade. Até mesmo aspectos relevantes como a discussão sobre racismo não parecem fluir como deveriam. Não se sabe transitar entre a sutiliza dos discursos subentendidos e a explosão de verdades que precisam ser ditas em momentos de catarse.

A produção, todavia, demonstra estar em bem melhor forma que na segunda temporada. Isso não a impede de ser assombrada pelo brilhantismo da primeira.

Obs: a sequência final pode ser interpretada de diferentes maneiras. Não gosto de supor uma morte anterior a todo caso.

Nota (0-10): 7

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