Crítica One Day at a Time S3: uma aula sobre respeito

A família Alvarez voltou – e com a estreia da terceira temporada de One Day at a Time, seus integrantes demonstram estarem cada vez mais afiados. Criado por Gloria Calderon Kellett e Mike Royce, o remake da Netflix centrado num núcleo de personagens cubanos vem para expor o preconceito, mostrar como combatê-lo e, o mais importante de tudo, cutucar diretamente Trump.

Assim como nos anos anteriores, a comédia aproveita todos os momentos possíveis para passar uma mensagem de acolhimento para o público. Bem verdade, muitas vezes faz isso de maneira excessivamente didática. Entretanto, mesmo que o roteiro nem sempre demonstre tanto esforço para naturalizar o discurso na história, a importância dos temas e a sensibilidade da obra são inegáveis.

Para levar adiante esta narrativa de amores e conflitos temos grandes atrizes na linha de frente. Justina Machado está cada vez mais indissociável de sua Penélope Riera Alvarez. Ela, que já esteve em obras como Six Feet Under e Queen of the South, tem um timing cômico perfeito e nos emociona sempre que deixa cair as recorrentes lágrimas de mãe latina que sofre com transtorno de estresse pós-traumático.

Rita Moreno mostra-se simplesmente exuberante com sua Lydia Riera. Ela realmente está preparada para nos proporcionar um belo show todas as vezes que abre teatralmente as cortinas do quarto. Chega a ser absurda a falta de reconhecimento por parte da crítica ao seu trabalho. Como pode essa vencedora de Emmy, Grammy, Oscar e Tony não ser lembrada nas mais recentes premiações?

É um desmerecimento não apenas do seu trabalho, mas também do de Machado. A dupla sai-se melhor que muitos nomes recorrentes nas listas de indicações. Elas lideram a atração com maestria – e são acompanhadas de bons coadjuvantes.

Isabella Gomez, a intérprete de Elena, é responsável por trazer discussões sobre sexualidade e gênero e representa o choque entre gerações. Enquanto a avó de Elena, Lydia, é a mulher religiosa fiel ao falecido marido, sua neta namora uma pessoa não-binária e aponta os machismos e demais preconceitos que permeiam o dia a dia. Por sinal, a companheira dela, Syd (Sheridan Pierce), parece o par perfeito.

Leia a crítica de One Day at a Time S2

Na lista de personagens secundários ainda temos Alex (Marcel Ruiz), que dá problemas como qualquer outro adolescente, Schneider (Todd Grindell), que ganhou um arco importante sobre alcoolismo, e Leslie Berkowitz (Stephen Tobolowski), o capacho de Lydia.

Uma cena muito bonita deste ano foi a dança de Victor (James Martínez) e sua filha. Obviamente o momento não apaga o sofrimento causado pelo pai a Elena. No entanto, demonstra que é possível evoluir, tentar adaptar-se às mudanças do mundo.

O passado pode até entoar gritos de ódio e usar boné Maga, mas terá de enfrentar muito amor pelo caminho.

Nota (0-10): 9

2 comentários Adicione o seu

  1. Ana Carolina Quevedo disse:

    Ótimo artigo, porém é importante ressaltar, Elena não namora outra mulher, Syd é uma pessoa não-binario.

    Curtido por 1 pessoa

    1. Olá, Ana. Tudo bem? Obrigado pelo toque. Faz algum tempo que escrevi a crítica e não sei o porquê de ter deixado passar isso. Dei uma olhada agora no Google e, ao que parece, foi na terceira temporada mesmo que há um episódio onde Syd diz ser uma pessoa não-binária. Abraços, até mais!

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