Crítica The Kominsky Method S1: o problema da próstata

Sandy Kominsky (Michael Douglas) é um ator que já deixou para trás o tempo de relativo sucesso e passou a treinar jovens que têm o sonho de brilhar em Hollywood. Norman Newlander (Alan Arkin), agente e melhor amigo de Sandy, precisa lidar com a morte de sua esposa. A dupla, interpretada por dois profissionais reconhecidos, movimenta a trama de The Kominsky Method, comédia criada por Chuck Lorre.

A nova produção da Netflix é uma espécie de versão masculina de Grace and Frankie. Assim como esta, aquela foca nas aventuras do dia a dia de duas pessoas idosas. Situações cômicas e dramáticas entrelaçam-se em uma história que fala sobre as dores e as alegrias do processo de envelhecimento.

Entretanto, se Grace and Frankie consegue trazer um ar de novidade e abraçar os novos tempos, The Kominsky Method tem como característica principal a recusa em aceitar as mudanças do tempo – algo que no começo parece particular dos protagonistas, mas logo contamina a atração como um todo.

Não dá para esperar um discurso muito nobre de alguém que trouxe ao mundo Two and a Half Men. E a produção atende essa baixa expectativa. Toda a profundidade de uma discussão que poderia ocorrer dá lugar a piadas baratas. Um bom exemplo reside nos vários episódios gastos com a próstata de Sandy. Falar sobre problemas ao urinar pode até fazer você rir uma vez. No entanto, isso ser uma constante torna-se incômodo para todo mundo.

É uma pena termos um material por vezes tão fraco e, ao mesmo tempo, atores tão bons na linha de frente. Douglas é uma das grandes personalidades do cinema e entrega o que se espera dele. Arkin, por sua vez, rouba a cena com seu personagem que é carrancudo e amoroso ao mesmo tempo. Eles têm química em cena.

Veja bem, a série não é ruim, só carece de um roteiro que faça jus ao resto. Obviamente o texto é melhor do que aquele apresentado em Disjointed, a fracassada parceria anterior de Lorre com a Netflix. Todavia, também não chega nem perto de obras muito mais robustas como Veep.

Nem só de próstata vive o problema de The Kominsky Method. O elenco feminino acaba subaproveitado. Sarah Baker, que faz o papel de Mindy, parece ter tanto potencial a ser mostrado. Já Nancy Travis, que interpreta Lisa, tem mais espaço em alguns momentos, mas sem realmente grande destaque.

É inegável que a série tenha o seu charme e possa render boas risadas ainda. Há inúmeras situações que podem ser usadas para divertir e sensibilizar. A primeira temporada não alcançou um nível tão alto, mas quem sabe no futuro a comédia seja um pouco melhor.

Nota (0-10): 6

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