Crítica Bird Box: suspense que funciona

Pessoas ao redor do mundo misteriosamente começam a cometer suicídio de maneira inexplicável em locais específicos. A ação rapidamente se espalha e chega à cidade de Malorie (Sandra Bullock), que presencia Jessica (Sarah Paulson), sua irmã, fazer o mesmo. A busca pela morte ocorre imediatamente após alguém enxergar uma das criaturas de origem desconhecida que tomam conta do planeta. Em pouco tempo, a humanidade é praticamente exterminada – e remanescentes precisam se isolar e evitar olhar da janela para fora.

O enredo de Bird Box, filme da Netflix baseado no romance homônimo de Josh Malerman, consegue instigar. Com direção da premiada Susanne Bier e roteiro de Eric Heisserer, o drama pode até não ser de um brilhantismo ímpar, mas serve como bom passatempo durante os dias de folga.

A sua trama, que é dividida em duas linhas temporais, ajuda bastante. Ao entrelaçar cenas do presente, em que temos Malorie em uma fuga desesperada com as duas crianças que cuida, com as do passado de cinco anos antes, quando o caos foi instaurado, a atração ganha um fôlego extra para nos prender na poltrona durante as mais de duas horas de duração.

Logo perguntas aparecem aos montes, como o que são esses monstros. Enquanto isso, a protagonista une-se a um grupo maior que tenta desesperadamente sobreviver. Nesse momento, o filme perde força ao juntar pessoas desnecessárias ou, no caso de Douglas (John Malkovich), extremamente irritantes.

O personagem de Malkovich, levando em conta a sua fala, parece ser a representação do eleitor do Trump em meio a um grupo de liberais. Todos seus atos são pensados para despertar antipatia e, no fim das contas, sua utilidade é de, sobretudo, estragar um pouco da nossa alegria ao assistir ao filme.

Isso, vale frisar, é uma verdadeira lástima, já que estamos falando de um ator de renome. Todavia, ao analisarmos com mais calma, apenas Bullock e Trevante Rhodes, que dá vida a Tom, têm espaço na trama. Paulson, Jacki Weaver e BD Wong, outros nomes famosos do elenco, são talentos desperdiçados.

O roteiro, além de ofuscar os coadjuvantes, também deve respostas. A premissa, apesar de boa e de tecer um suspense efetivo, não se traduz em uma execução tão correta assim em outros quesitos. O que explicaria a manutenção da energia elétrica durante muito tempo sem humanos trabalhando? O que impede os monstros de entrarem sorrateiramente nos locais quando as portas são abertas? É possível sobreviver cinco anos escondido tendo de sair o tempo todo para invadir residências e estabelecimentos em busca de comida? Os alimentos, bem como os remédios, têm prazo de validade tão longo assim?

Há diferentes questionamentos para serem feitos – com respostas mais necessárias do que a real aparência das criaturas, omissão que encaixa bem com a natureza do filme. São pontos que não prejudicam a experiência de acompanhar o desenrolar dos fatos, mas limitam o trabalho como apenas mais um entre tantos outros.

Nota (0-10): 7

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